CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba
Abram-se as cortinas! Porque o teatro do Brasil amanheceu hoje parecendo novela mexicana dirigida por filósofos cansados, roteiristas apaixonados por café forte e eletricistas que pagam conta de luz chorando em código Morse. O palco do dia 19 de maio chegou com cheiro de papel assinado, promessas parceladas em três vezes sem juros e diplomatas apertando mãos enquanto o povo aperta o cinto da calça e o botão da calculadora.
Capítulo primeiro: na Câmara de Aracaju, aprovaram o novo plano salarial dos servidores da saúde. Ah, meus amigos… o salário brasileiro é igual namoro à distância: a gente vive de esperança, áudio motivacional e calendário. O reajuste virá em etapas até 2028, como quem entrega felicidade em prestações emocionais. O servidor olhou para o contracheque e ele respondeu igual pão francês magro no fim do mês: “calma, meu filho, eu ainda vou crescer”. E o trabalhador da saúde, herói de jaleco que vive lutando contra vírus, burocracia e impressora sem tinta, respirou como quem encontra um copo d’água no deserto do contracheque. Mas o brasileiro é tão calejado que até quando ganha aumento pergunta primeiro: “e o desconto vem de cavalo ou de caminhão?”.
Enquanto isso, a Universidade Federal de Sergipe abriu as janelas do Atlântico e assinou convênio com a Universidade de Oviedo, na Espanha. Eita que bonito! Sergipe agora conversando com a Europa como quem manda áudio internacional pelo Wi-Fi da esperança! O estudante sergipano já está sonhando em trocar o cuscuz pelo jamón espanhol, misturando “olé” com “oxente” e ensinando europeu a sobreviver com ventilador barulhento e café requentado. A ciência atravessando oceanos enquanto muito político ainda não consegue atravessar uma entrevista sem tropeçar na própria língua. A universidade virou caravela moderna navegando no mar do conhecimento, levando doutores, pesquisas e sonhos dentro da bagagem acadêmica. E o povo daqui, orgulhoso, olhando para a UFS como mãe em formatura de filho: chorando, sorrindo e dizendo “vai estudar menino, porque boleto não aceita poesia”.
Aí veio a Agência Nacional de Energia Elétrica anunciar redução na conta de luz. Meu Deus do céu! O brasileiro ouviu isso igual escuta “pix recebido”. Quase teve gente abraçando ventilador, beijando geladeira e agradecendo à lâmpada da cozinha pela parceria nos momentos difíceis. Porque conta de energia no Brasil anda mais assustadora que ligação desconhecida às sete da manhã. A promessa de redução de até 4,5% fez o povo sonhar alto: já teve cidadão ligando o ventilador na potência máxima só para sentir o gostinho psicológico da riqueza. Mas o brasileiro é desconfiado… quando escuta “redução”, já protege o bolso igual goleiro em cobrança de falta.
E então o roteiro político entrou no modo suspense policial. O senador Flávio Bolsonaro admitiu visita ao banqueiro Daniel Vorcaro, e Brasília virou panela de pressão sem válvula. Ah, Brasília… aquela cidade onde café é servido com açúcar, intriga e fumaça de bastidor. A política brasileira parece casamento em grupo: ninguém confia em ninguém, mas todo mundo tira foto sorrindo. Aliados desconfiados, revelações parceladas e informações pingando como torneira quebrada às três da manhã. Tem hora que o cidadão abre o noticiário e parece que entrou numa série de espionagem escrita por humoristas. O povo quer explicação, mas recebe capítulos. Quer transparência, mas ganha fumaça cinematográfica.
E do outro lado do planeta, Vladimir Putin e Xi Jinping apertavam mãos em Pequim como dois jogadores experientes de xadrez geopolítico movendo torres, rainhas e peões enquanto o mundo observa roendo as unhas. O Oriente Médio continua sendo barril de pólvora cercado de diplomatas segurando fósforo e discursos. As potências falam em estabilidade mundial com a solenidade de maestros tentando reger uma orquestra em meio a trovões. E o planeta, coitado, parece condomínio em grupo de WhatsApp: todo mundo manda mensagem longa, ninguém entende direito e sempre existe risco de confusão no fim da noite.
E assim terminou mais um capítulo da nossa tragicomédia tropical. O Brasil segue dançando forró em cima de planilhas, sambando sobre boletos e fazendo piada até da própria desgraça, porque rir virou mecanismo de sobrevivência nacional. O povo brasileiro é um poeta cansado carregando sacolas de supermercado e esperança no mesmo braço. E mesmo tropeçando em crises, aumentos, escândalos e promessas embaladas para viagem, continua acordando cedo, tomando café quente e acreditando que amanhã talvez venha com menos juros, menos caos e um pouco mais de humanidade.
Porque no fundo… o Brasil é isso: um circo poético onde o palhaço chora, o trabalhador resiste e a esperança insiste em não pedir demissão.




