CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Fevereiro de 2025
"A Cidade das Crateras, o Café Fake e as Promessas de um País sem Energia"
As notícias nas páginas do dia 19 de Fevereiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma vez uma cidade que flutuava sobre crateras, onde o chão parecia uma armadilha prestes a engolir os desavisados. Aracaju, a bela capital do sol e do mangue, viu mais uma de suas avenidas se abrir como boca faminta, sugando esperanças e asfaltos remendados com discursos políticos. A Avenida Antônio Cabral, cansada de tanta negligência, resolveu gritar por socorro, mas sua voz veio em forma de um buraco colossal. Quem passa por lá não sabe se pisa no chão ou se está prestes a ser tragado por um destino já anunciado.
E como se fosse um enredo de novela ruim, a limpeza da cidade virou um espetáculo tragicômico. Empresas são contratadas em caráter emergencial, mas a emergência já virou rotina. É como se alguém acendesse a luz no teatro e descobrisse que a peça é a mesma, só trocaram os figurinos. A Torre sai, o mistério entra, e a poeira, essa sim, permanece firme e forte.
Mas não nos preocupemos, pois o Senado resolveu liberar bilhões para obras inacabadas! O dinheiro, antes represado como rio esquecido, agora flui com a generosidade de um cangaceiro distribuindo balas. A pergunta que não quer calar é: será que dessa vez ele chega ao destino certo ou se perderá nas veredas sinuosas da burocracia?
Enquanto isso, na prateleira do supermercado, o brasileiro encontra um novo tipo de café: o pó sabor café. Sim, porque o café de verdade parece ter sido deportado, e no seu lugar temos cascas, grãos defeituosos e um leve toque de enganação. O Ministério da Agricultura decidiu agir, apreendendo esse néctar falsificado, mas o brasileiro segue firme, misturando realidade e ilusão a cada gole matinal.
E por falar em ilusões, dois brasileiros finalmente voltaram para casa após caírem no conto da promessa de emprego perfeito. Vítimas do tráfico humano em Mianmar, descobriram da pior forma possível que sonho e pesadelo podem dividir a mesma passagem aérea. Sorte deles que, ao contrário de muitos, conseguiram retornar. Mas e os outros? Quantos ainda estão presos em labirintos invisíveis ao olhar distraído do mundo?
Nos Estados Unidos, Trump viu sua reprovação subir como boleto no fim do mês. A economia preocupa, a política polariza, e o velho jogo de discursos inflamados segue, enquanto a América tenta entender se o sonho americano ainda cabe no orçamento de 2025.
Já no Vaticano, as orações funcionaram. Papa Francisco, aos 88 anos, respira um pouco melhor. A fé, ao que parece, ainda vence a pneumonia. Mas, cá entre nós, não seria mais justo um milagre no sistema de saúde mundial?
No Brasil, a Câmara decidiu dar um alívio ao povo: durante calamidades, nada de corte de energia. Um gesto bonito, quase um suspiro de humanidade entre tantos projetos áridos. Mas, se pararmos para pensar, não deveria ser regra e não exceção? Afinal, viver num país onde a conta de luz pesa mais que a luz no fim do túnel não parece muito justo.
E assim segue o Brasil de Fevereiro, tropeçando em crateras, bebendo café fake, torcendo por milagres e esperando, sempre esperando, que o amanhã traga menos emergências e mais soluções definitivas.
Seja bem-vindo ao país e ao mundo onde a realidade se reescreve todo dia, mas as metáforas nunca mudam.




