CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abramos as janelas do domingo como quem abre um guarda-chuva furado em meio a um dilúvio de ironias: Aracaju virou um aquário sem peixes e com muito contribuinte nadando contra a corrente. Vazamentos brotam do chão como se a cidade tivesse decidido chorar por baixo da pele, e a água — essa poeta líquida — escorre pelas ruas recitando versos de caos, enquanto a tal da Iguá corre atrás do prejuízo como garçom em dia de casamento, equilibrando bandejas de promessas que insistem em escorregar.
E quando a gente pensa que já está afogado o suficiente, vem o Imposto de Renda com sua rede invisível de pescador de distraídos: trabalhadores, coitados, caem na malha fina como peixes que só queriam nadar tranquilos no mar do salário suado. É a matemática do susto! Um número fora do lugar e pronto: o cidadão vira suspeito de um crime que nem sabia que cometeu. A Receita, com sua lupa de Sherlock Holmes tropical, pede calma… mas o bolso, esse já entrou em pânico e está pedindo socorro em código morse.
Mas nem só de enchente e susto vive o noticiário — em Buenos Aires, na Argentina, eis que surge um padre DJ, um maestro de batina remixando o céu com o eletrônico, transformando a Praça de Maio numa pista de fé dançante para homenagear o papa Francisco. Entre um “amém” e um “drop”, até o espírito parece dar passinho, e o papa vira sample de esperança no meio da rave mais celestial do planeta. Quem diria? O sagrado agora também tem batida… e talvez Deus, lá do alto, esteja apenas sorrindo e marcando o tempo com o pé.
Ah, Brasil… terra onde a água invade e o imposto persegue. E nós? Nós seguimos — meio molhados, meio taxados, mas ainda com um resto de riso no bolso e esperança no peito, porque, no fim das contas, viver por aqui é como atravessar uma enchente de olhos fechados: a gente nunca sabe a profundidade, mas insiste em dar o próximo passo.




