CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de julho de 2025
As Manchetes do 18º dia de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 18 de julho amanheceu como quem chega com flores em uma mão e uma bomba-relógio na outra. Um Brasil entre berçários e tornozeleiras, entre esperanças gestadas e incêndios emocionais, entre o sopro de uma nova vida e o estampido de velhas vergonhas.
Comecemos pelo milagre entre lençóis hospitalares: uma mãe em Sergipe — dessas que não vestem capa, mas carregam o mundo no ventre — pediu que da placenta de seu recém-nascido brotasse a chance de vida do filho mais velho. E assim, em pleno Santa Isabel, nasceu um bebê e, junto dele, uma promessa de renascimento para seu irmão. Foi o cordão umbilical transformado em fio de esperança, um laço entre a biologia e o amor mais puro que existe: o de quem quer ver dois filhos vivos no mesmo quintal.
Enquanto isso, o Ministro da Saúde apareceu como turista em obra, visitando o futuro Hospital do Câncer de Sergipe. Posou para fotos, sorriu como se estivesse entregando tudo pronto, mas saiu antes de sentir o cheiro do cimento ou o grito dos pacientes invisíveis que ainda esperam o tal “acesso universal”. Se palavras curassem, estaríamos todos salvos pela verborragia ministerial.
Na Câmara de Aracaju, uma fagulha de sensatez: os vereadores decidiram que o céu não é palco de guerra e proibiram fogos com estampido. Uma vitória para os cães, os bebês e os corações sensíveis que se assustam com o barulho do espetáculo alheio. Finalmente entenderam que o silêncio também pode ser comemorativo, e que não é preciso explodir o céu para celebrar a vida.
O MEC, sempre com seu talento para complicar o simples, prorrogou as inscrições do Enamed. Quem quiser ser médico agora precisa pagar R$ 330 e ainda fazer uma prova que avalia não só o futuro residente, mas a reputação do próprio curso. Um vestibular de vaidades, onde o preço da saúde começa na taxa de inscrição e termina no plantão sem descanso. Medicina virou corrida de obstáculos, e não falta quem tropece na falta de equidade.
Na floresta, o verde respira — mas com bombinha de asma. O desmatamento caiu, sim, mas a degradação subiu como fumaça de floresta em chamas. É como se o Brasil tivesse trocado o machado pelo veneno, a motosserra pela serrinha elétrica da burocracia. A Câmara dos Deputados, com mãos sujas de clorofila alheia, afrouxou as regras ambientais, como quem solta os freios do carro em uma ladeira cheia de futuro. Protestos ecoaram, mas, no Brasil do presente, o eco morre antes de bater na parede.
E se no Brasil o absurdo veste terno, nos EUA ele usa colete à prova de lógica. Três pessoas morreram numa explosão em um centro de treinamento da polícia de Los Angeles, quando um esquadrão antibombas manipulava… bombas. Ironias da vida moderna: treinar para desarmar e acabar desarmado pela própria lição.
Por fim, ele — o espectro do passado recente — reaparece no palco político com tornozeleira reluzente como pulseira de debutante do apocalipse. Bolsonaro, o profeta das rachadinhas, foi presenteado pela PF com um GPS de pulso. Enquanto isso, seu ídolo de topete cor de milho — Trump — pediu a revogação do visto de Alexandre de Moraes, como se o mundo fosse um tabuleiro e o Brasil uma peça que ele ainda pudesse mover. Mas aqui, nem todo “Make America Great Again” mascara a tentativa de fazer o Brasil um quintal de Mar-a-Lago.
E assim termina mais um dia no nosso realismo mágico: onde a esperança nasce do útero, a política vive de efeitos especiais sem roteiro, e a justiça desfila entre o riso e o escárnio. Um Brasil onde o berçário é mais revolucionário que o Congresso, e uma mãe anônima faz mais pela humanidade do que mil discursos na tribuna.




