CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos abrir o jornal do dia 18 de abril de 2026
E o mundo, meu caro leitor, amanheceu como um velho rádio chiando notícias: umas desafinadas, outras explosivas, e algumas tão absurdas que parecem piada de boteco contada por um bêbado filósofo.
Em Monte Alegre, a vida resolveu vestir a fantasia da ironia e sair sambando na cara da dignidade: um homem, desses que confundem esperteza com inteligência, foi pego com 53 cartões do Bolsa Família — uma coleção digna de álbum da miséria humana — tentando sacar sonhos alheios como quem pesca peixes em aquário. Era o Robin Hood ao contrário: roubava dos pobres para engordar o próprio bolso, com direito a simulacro de arma, promissórias e uma cara de “não fui eu” ensaiada no espelho da desfaçatez. A polícia chegou como professora severa: apagou o quadro negro da malandragem com giz de lei e deixou o sujeito de castigo no canto da vergonha.
Enquanto isso, a Mega-Sena, essa fada madrinha com preguiça de trabalhar, acumulou mais uma vez e prometeu R$ 70 milhões — um dinheiro tão grande que faz até nota de cem se sentir moeda de brinquedo. E lá estavam os brasileiros, sonhando acordados, fazendo planos com dinheiro que ainda nem existe, como quem constrói castelos de vento com cimento de esperança. Ah, o Brasil… esse país onde a esperança é teimosa feito mato em calçada rachada!
Do outro lado do planeta, a Coreia do Norte resolveu brincar de soltar fogos — só que não eram fogos de São João, eram mísseis, desses que não pedem licença ao céu e fazem a paz suar frio. É o mundo jogando xadrez com bombas, onde cada movimento parece um blefe de fim do mundo. E a humanidade assiste, entre um gole de café e outro, como se fosse trailer de filme — só que sem botão de pausa.
E como se a Terra também quisesse dar sua opinião, lá vem o Afeganistão tremendo novamente, como um coração cansado de tanto apanhar. A terra se mexe, as montanhas sussurram dor, e as casas frágeis se rendem como cartas em um castelo de desespero. Parece que o planeta anda inquieto, sacudindo seus próprios ossos, como quem tenta acordar a humanidade de um sono pesado de indiferença.
No fim das contas, o dia 18 de abril foi esse circo meio trágico, meio cômico: um picadeiro onde o palhaço ri com lágrimas, o mágico faz desaparecer a dignidade, e o público — nós — aplaude, às vezes sem entender se é espetáculo ou aviso.
E assim seguimos… tropeçando nas notícias, rindo para não chorar, chorando para não enlouquecer — porque viver, meu amigo, é essa eterna corda bamba entre o absurdo e a esperança.




