CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de dezembro de 2025
Publicado em 18/12/2025 às 12:16

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 17 amanheceu com cheiro de diesel jurídico e café requentado de Brasília. Em Aracaju, os ônibus — essas baleias cansadas de asfalto — quase foram encalhados pelo TCE, mas ganharam uma boia chamada liminar. O contrato emergencial, emergente e eternamente provisório, seguiu rodando: a cidade respirou alívio curto, desses que cabem no bolso do paletó. A Justiça puxou o freio com luvas de veludo, e a ironia sorriu no ponto final: irregularidade em circulação regular.

No Senado, tesouras dançaram tango com o Orçamento. Cortaram isenções, soltaram R$ 22,45 bilhões e prometeram cobrar das apostas — cassino de bolso — e das fintechs, essa nuvem que chove juros. O dinheiro, personificado, correu pelos corredores como quem foge de promessa antiga.

Já a dosimetria virou borracha: apaga penas, redesenha culpas. A História pigarreou. O 8 de janeiro piscou em preto e branco, pedindo legenda.

E lá fora, Trump falou à nação como quem vende guarda-chuva em dia seco: jurou controlar a inflação, esqueceu a Venezuela e combateu fantasmas na fronteira. O mundo ouviu com o ouvido cético — esse músculo treinado.

Assim foi o dia: ônibus salvos por sentença, cofres penteados, penas lixadas e discursos perfumados. O Brasil seguiu — aos trancos, aos versos — acreditando que amanhã a metáfora chegue antes do atraso.