CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de abril de 2026
( Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE )
Vamos abrir os capítulos do livro do dia 17 de abril de 2026
O dia amanheceu com sede — não aquela sede poética de quem deseja viver, mas a sede seca, áspera, de torneira que tosse ar em vez de água. Sergipe virou um poema interrompido: a água, essa velha senhora que sempre chegava pontual, resolveu faltar como político em promessa de campanha. E lá está o povo, com o copo na mão, olhando para o nada líquido, esperando um milagre que vem com atraso e desculpa esfarrapada. A estatística virou um grito: 16,8 pontos de queda… não é número, é sede com CPF! É o IBGE dizendo, em linguagem de planilha, que até o banho agora precisa marcar hora como consulta médica.
E no meio desse deserto de canos, a vida resolveu fazer silêncio… partiu Oscar Schmidt, o Mão Santa, o homem que transformava bola em poesia aérea. O basquete perdeu sua estrela, e o céu ganhou um arremessador de três pontos. A morte, essa árbitra sem coração, apitou o fim do jogo sem acréscimo, sem prorrogação, sem chance de rebote. Ficou o eco das quadras, o suor transformado em memória, e o Brasil — esse gigante meio distraído — ficou menor por alguns centímetros de saudade.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, a geografia humana desenha mapas de dor: imigrantes sendo jogados de um canto ao outro como peças de um tabuleiro onde ninguém quer ser rei, apenas sobreviver. O planeta gira, mas às vezes parece que roda em círculos — expulsando gente, recolhendo gente, como se humanidade fosse objeto perdido em aeroporto.
E assim segue o dia: entre torneiras mudas, despedidas doloridas e fronteiras que empurram vidas como vento empurra folhas. O mundo hoje foi um livro de páginas secas e lágrimas invisíveis… mas, ainda assim, com uma ironia quase cômica: falta água, sobra descaso; falta abraço, sobra indiferença; falta justiça, sobra notícia.
E nós? Nós seguimos… rindo para não chorar, ironizando para não gritar, escrevendo para não secar por dentro. Porque, no fim das contas, caro leitor, a vida é isso: um copo meio cheio de esperança… mesmo quando a torneira insiste em negar o milagre.




