CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 16 de janeiro de 2025

O giro de notícias nas vestes do dia 16 de janeiro de 2025.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 16 de janeiro de 2025
Publicado em 17/01/2025 às 9:38

As quentes manchetes do dia 16 de janeiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia amanheceu como um mosaico de realidades paralelas, onde os fragmentos de esperança disputavam espaço com as cinzas do caos. Em Capela, as lágrimas do céu transformaram-se em lama, inundando não apenas ruas, mas também sonhos. O prefeito Júnior Tourinho declarou emergência, mas quem decretará um estado de paz para os corações que perderam tudo? A chuva, como uma metáfora viva, lembrava que a natureza, apesar de sua poesia, não escreve sempre em versos suaves.

Enquanto isso, no mundo dos papéis carimbados e promessas de futuro, o concurso da Assistência Social de Sergipe oferece 90 vagas. Parece 90 bilhetes dourados para a fábrica de ilusões, onde o chocolate é amargo e os Oompa-Loompas da burocracia cantam em tons de desespero. Será que entre provas objetivas e títulos avaliados, alguém avaliará a humanidade?

No outro lado do tabuleiro, uma notícia brilhava como o sol entre nuvens carregadas: Sergipe não tem mais lixões em atividade. Mas, antes de soltarmos fogos de artifício, vale perguntar: onde está o lixo que foi escondido debaixo do tapete da política? O fim dos lixões é uma vitória, sim, mas não apaga o odor do descaso ambiental que ainda paira no ar.

Já em Aracaju, a Defesa Civil investiga um imóvel atingido pelo fogo, e a cidade respirava entre as cinzas e o concreto. Era como se o incêndio tivesse acendido uma vela na escuridão estrutural, revelando rachaduras que não são apenas do edifício, mas também da gestão urbana.

No teatro político, Bolsonaro insiste em cruzar oceanos para acompanhar a posse de Trump, enquanto Moraes mantém o portão fechado. Era como se um velho cowboy, expulso do saloon, tentasse entrar pela janela enquanto a banda já tocava outra melodia. Um recurso, outro recurso, e assim segue o Brasil, um país que aprendeu a viver em modo de espera judicial.

Enquanto isso, o CPF de Haddad aparecia em fake news sobre PIX, como se a ficção tivesse virado o gênero literário oficial da política brasileira. Criaram uma novela de intrigas fiscais, onde o vilão não é o sistema, mas a desinformação. E Haddad, o protagonista involuntário, tenta limpar sua identidade num enredo que é mais real do que a realidade.

No cenário internacional, Israel e Hamas assinam um cessar-fogo, uma dança frágil de acordos em um chão feito de pólvora. Cada assinatura é um passo em falso, e o mundo observa com a respiração presa, como quem assiste a um equilibrista sem rede de proteção.

Por fim, no México, um incêndio devorou um cassino e um parque de diversões, ironicamente simbolizando como o fogo consome tanto os jogos de azar quanto as brincadeiras da vida. Era o retrato de um mundo que arde, seja pela imprudência ou pela negligência, mas sempre pela chama da imprevisibilidade.


No fim do dia, resta-nos contemplar o céu, aquele mesmo que inundou Capela, e perguntar: será que ele também chora por nós?