CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de dezembro de 2025
Publicado em 17/12/2025 às 12:48

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Escrevo de Japaratuba, onde o vento ensaia partituras invisíveis e a tarde cheira a café coado com esperança. Lá em Aracaju, a Orquestra Sinfônica afina o Natal no Teatro Tobias Barreto: violinos acendem estrelas, o Quebra-Nozes dança no ar e Saint-Saëns nasce como presépio sonoro. A música, essa senhora elegante, varre a poeira do ano e diz, com doçura firme: ainda há beleza, mesmo quando o mundo desafina.

Mas o noticiário não vive só de dó maior. Nos Correios, o envelope da realidade veio sem selo: faltou dinheiro, sobrou aviso. O Conselho Fiscal gritou “atenção!”, a CGU pigarreou números, e a estatal caminhou no fio bamba do balanço — equilibrista sem rede, tentando entregar cartas enquanto o caixa cochila. Ironia hiperbólica: o correio corre, mas o cofre manca.

E Roma? Ah, Roma cavou o tempo. Fez metrô por baixo do Coliseu e achou séculos no subsolo: vasos, pratos, banhos antigos — o passado pegou carona no trem. Congelaram o chão para salvar a memória; aqui, às vezes, congelam promessas para salvar discursos. Lá, museu subterrâneo; cá, arquivo vivo de contradições.

Entre sinfonias que abraçam, cofres que suspiram e túneis que conversam com a História, sigo escrevendo daqui, de Japaratuba, com o ouvido no chão e o coração em compasso lento. Porque o Brasil, como orquestra grande, só fica bonito quando cada instrumento resolve tocar a verdade.