CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de dezembro de 2024
Giro de notícias do dia 16 de dezembro de 2024 entre anúncios de progresso, shoppings lotados, vacinas milagrosas e terremotos, o dia segue como um trem veloz, com estações de esperança, política e sustos geológicos. Que a ponte, quando construída, seja sólida como os sonhos.
Entre Pontes, Horários Esticados e Tremores da Terra
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Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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No meio do frenesi natalino, quando a cidade de Aracaju decide que o sol deve nascer antes do tempo e se pôr muito depois, o governo resolve tirar a velha poeira dos mapas e traçar uma ponte entre o bairro Inácio Barbosa e a Coroa do Meio. Não se trata de uma simples ligação entre margens; é a tentativa de transformar o engarrafamento diário em algo que flua como poesia – ou quase. Enquanto as sondagens do solo prometem futuros de concreto, os aracajuanos começam a enxergar na ponte um novo “Caminho de Santiago”, ainda que o percurso entre os bairros custe apenas o suor diário e um tanque cheio.
E já que estamos falando de tempo, os shoppings da cidade agora abrem portas como quem estica um abraço: das nove da manhã até às onze da noite. Quem quiser fugir do trânsito da ponte pode correr para os templos do consumo, onde Papai Noel já nem dorme mais e os lojistas sussurram: “Compre, meu filho, o tempo urge!”. É o milagre do Natal com horário estendido. A diferença entre um adulto e uma criança neste período é que a criança espera o presente e o adulto espera o boleto.
Enquanto isso, uma boa nova desponta em meio ao verão tropical de febre e medo. O Instituto Butantan, herói que nos vacina de tragédias, anuncia uma revolução: uma vacina contra a dengue de dose única. Como uma flecha certeira, ela promete livrar o país dos quase seis milhões de casos deste ano, marcando ponto contra o mosquito que sempre ganha o primeiro tempo. Se o brasileiro pudesse, além de tomar a vacina, também vacinaria suas janelas, pias e garrafas d’água. Afinal, o mosquito não dorme, mas a ciência parece estar vencendo a insônia.
Já no plano político, o governo federal segue o mesmo roteiro de todo fim de ano: negociando com senadores e tentando destravar pacotes como quem destranca a porta de uma casa alugada. Entre agências reguladoras e alianças políticas, Brasília é uma festa onde a lista de convidados não cabe em uma única mesa, e a ceia só é servida se o dono da casa aceitar as indicações.
Longe do Brasil, mas não tão longe das manchetes, o STF vira os olhos para o Peru, onde condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro foram localizados. Eles tentam escapar da justiça como quem foge de uma maré alta, mas, diferentemente do filme “Prenda-me se For Capaz”, aqui os protagonistas caem menos graciosamente, com a Interpol fazendo o papel do guardião da moral global.
Por fim, a Terra resolveu dar o seu espetáculo particular no outro lado do mapa. Um terremoto de magnitude 7.3 sacudiu Vanuatu, no Pacífico, lembrando-nos que, apesar das pontes, vacinas e pacotes fiscais, o planeta tem a última palavra. Quando a terra treme, a humanidade reaprende a humildade, olhando para o chão que sempre acreditou ser firme.
E assim, entre anúncios de progresso, shoppings lotados, vacinas milagrosas e terremotos, o dia segue como um trem veloz, com estações de esperança, política e sustos geológicos. Que a ponte, quando construída, seja sólida como os sonhos, e que o Natal, ao menos, termine com mais abraços e menos boletos. Afinal, como diria o poeta urbano: “Na dúvida entre correr para o shopping ou para o futuro, escolha sempre um caminho que valha a pena.”




