CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de dezembro de 2024
"Entre Chamas, Cicatrizes e Esperanças: Um Domingo de Notícias que Refletem o Caos e a Resiliência"
A Rodovia da Vida: Entre Chamas, Gel e Esperança
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Na SE-270, entre Lagarto e Simão Dias, a estrada se tornou palco de uma tragédia ardente. Três cavalos, símbolo de força e liberdade, foram devorados pelo fogo enquanto eram conduzidos num caminhão boiadeiro. A imagem do incêndio não queima apenas o asfalto, mas também a alma, nos lembrando de que nem sempre a velocidade da estrada acompanha o ritmo da vida.
Enquanto isso, em outro fronte, a SSP de Sergipe declara guerra às armas de gel. Sim, armas que atiram pequenas cápsulas de líquido, mas cujas consequências são tudo, menos leves. A violência, mesmo em sua versão “brinquedo”, carrega um peso que as campanhas educativas tentarão aliviar. Quem sabe, dessa proibição, surja a chance de educarmos os dedos das crianças para segurarem livros, e não gatilhos, ainda que de brinquedo.
Já o setor elétrico, após uma seca que rachou a paciência e os reservatórios, promete um 2025 sem taxas extras na conta de luz. Será o alívio das chuvas ou a dança econômica da reforma tributária, que tenta, com suas porcentagens e “cashbacks”, fechar a torneira dos impostos sem sufocar o consumidor? Entre cifras e cifras, a meta parece ser fazer o Brasil voltar a respirar sem medo da conta no fim do mês.
No noticiário político, o presidente Lula ensaia seu retorno após susto médico. Recuperar-se de um sangramento no crânio pode ser mais simbólico do que parece: talvez seja a metáfora perfeita para um Brasil que também sangra, dividido entre seus desafios econômicos e sociais. Enquanto isso, o ex-general Braga Netto, agora encarcerado, ocupa um quarto equipado com ar-condicionado, TV e geladeira. Uma cela que, para muitos brasileiros, ainda é mais confortável que a sala de estar.
Longe daqui, o ciclone Chido devastou Mayotte, um canto esquecido do Oceano Índico. Entre mortos e feridos, o vento recorda o que já sabemos: o clima não perdoa, mas é também uma lição de resiliência. Afinal, reconstruir sempre foi o motor da humanidade, seja sob as ondas de um ciclone ou sobre os escombros de um passado de guerra, como no Sri Lanka, onde campos minados ainda fazem ecoar a dor de uma guerra que deveria estar enterrada.
E assim seguimos, em um domingo de dezembro, tentando encontrar ordem no caos. Seja na estrada que arde, na política que se remenda ou no vento que destrói, o mundo continua seu ciclo. E nós, rodoviários da vida, seguimos dirigindo — entre buracos, curvas e esperanças.




