CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de janeiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de janeiro de 2026
Publicado em 13/01/2026 às 22:05

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Caro leitor e cara leitora, sente-se e prepare-se para a leitura. Puxe a cadeira da paciência, sirva um café forte (sem mistura, por favor) e abra os olhos como quem entra num teatro onde a comédia e a tragédia dividem o mesmo palco — às vezes trocando de figurino no meio da cena.

O dia 13 acordou com cheiro de gasolina filosófica em Aracaju. Não era apenas combustível: era metáfora líquida escorrendo das bombas, pedindo nota fiscal, pedindo origem, pedindo respeito. A fiscalização chegou como um coro grego de coletes e crachás — Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil e Agência Nacional do Petróleo — todos juntos, afinados, parecendo banda marcial da moralidade. Três postos foram visitados, como três porquinhos da fábula moderna. Dois sopraram aliviados, assobiando “tá tudo certo”. O terceiro… ah, o terceiro tossiu fumaça.

Não tinha metanol — graças aos deuses da química —, mas tinha o velho fantasma brasileiro: a falta de identificação da origem. Combustível órfão, etanol sem sobrenome, gasolina sem certidão de nascimento. Um líquido sem passado, tentando empurrar o futuro dos motores. Faltava também material para análise, como se a qualidade fosse algo opcional, um detalhe estético, um acessório que se esquece no porta-luvas da ética. Autos de infração foram lavrados, e as amostras seguiram para o laboratório, esse confessionário científico onde os líquidos não mentem — ou, se mentem, são desmascarados com jaleco e pipeta.

Enquanto isso, a Reserva do Tramandaí, coitada, tossia folhas secas e suspirava lama. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente identificou irregularidades, como quem encontra feridas abertas num corpo que deveria ser protegido. A reserva é um pulmão; quando adoece, a cidade inteira fica ofegante. A natureza, personificada, pediu silêncio e cuidado, mas recebeu passos apressados e descuidos reincidentes. É o progresso andando de sapato sujo sobre tapetes verdes.

No tabuleiro da política, a cadeira do Ministério da Justiça mudou de dono. Wellington César Lima e Silva voltou ao palco, agora com o peso de uma pasta que não cabe só em discursos. O ministério não é poltrona confortável: é banco de praça, exposto ao sol, à crítica e à história. A Justiça, essa senhora exigente, não aceita atalhos nem cochilos. Cobra postura, coerência e coragem — três itens que não vêm em kit promocional.

E lá fora, no mundo onde as manchetes gritam em línguas diferentes, o Irã respondeu com cartas e ameaças, e o presidente americano soprou brasas como quem acha que o fogo resolve tudo. A ONU virou caixa de correio de tensões, e os manifestantes mortos ecoaram como sinos quebrados. EUA e Israel foram citados, a violência foi denunciada, e a palavra “intervenção” dançou perigosamente no salão das nações. A geopolítica, essa ópera barulhenta, seguiu desafinada, com tenores berrando e o coro da população pagando o ingresso mais caro: a vida.

Assim foi o 13 de janeiro de 2026: um dia em que a gasolina pediu identidade, a natureza pediu socorro, a Justiça trocou de guarda e o mundo lembrou — de novo — que o poder fala alto, mas quem sangra são os de sempre. Entre bombas, reservas, ministérios e cartas à ONU, ficou a lição escrita com tinta emocional: sem origem, sem cuidado e sem responsabilidade, até o futuro vira combustível adulterado. E esse, caro leitor e cara leitora, não move país nenhum — só enguiça consciências.