CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No calendário da emoção, o dia 12 de junho é reservado aos corações apaixonados, às flores que tentam disfarçar as dores, aos chocolates que adoçam o amargo das crises conjugais e às promessas mais repetidas que senhas de Wi-Fi. Mas neste Dia dos Namorados de 2025, o Brasil foi obrigado a misturar vinho com vinagre, amor com protesto e beijos com boletins de ocorrência noticiosa.
O céu de Sergipe decidiu chorar com vontade. Lágrimas de nuvem escorreram pelas avenidas do Estado, anunciando que o final de semana será regado a chuvas generosas, daquelas que lavam até as promessas de políticos em campanha. Com ventos de até 70 km/h, os guarda-chuvas vão dançar forró sozinhos pelas calçadas, enquanto os apaixonados tentam se proteger com um abraço — ou com uma desculpa para não sair de casa. Afinal, amar sob tempestade exige não só coração, mas capa de PVC e bota antiderrapante.
Enquanto isso, na Câmara de Aracaju, o cupido da fiscalização sacou duas flechas certeiras chamadas CPI — uma para a SMTT e outra para o tal “Natal Iluminado”, que parece ter acendido mais holofotes sobre os gastos do que sobre os anjos decorativos. O povo, esse espectador cativo das promessas não cumpridas, espera que dessa vez o “papai Noel político” devolva o que colocou no saco — ou nos cofres. Só esperamos que, ao final dos 120 dias de investigação, não recebamos mais um presente de grego: relatório morno embrulhado em papel reciclado de desculpas.
A Advocacia-Geral da União, num gesto digno de um Romeu moderno, pediu ao STF que as vítimas de fraudes no INSS não precisem mais fazer serenatas judiciais para recuperar o que é seu por direito. Um gesto bonito, sim, mas não deixa de ser trágico que, em pleno século XXI, um cidadão precise da caneta suprema para não ser feito de trouxa no baile das aposentadorias. E ainda querem um crédito extraordinário fora do teto — parece que o teto de vidro da responsabilidade fiscal já trincou e ninguém quer varrer os cacos.
Do outro lado do planeta, Israel e Irã trocam cartas nada românticas. Em vez de flores, explosivos. Em vez de serenatas, ataques. Um bombardeio matou chefes das Forças Armadas iranianas, e o Oriente Médio treme mais do que casal em DR no meio do restaurante. Quando generais viram manchetes póstumas, a diplomacia chora no canto do sofá, com o controle remoto na mão e o noticiário no mudo.
E como se o dia já não estivesse carregado de tempestades e tensões, um avião da Air India caiu perto do aeroporto, deixando 240 mortos e apenas um sobrevivente. Um só. Um milagre entre destroços. Enquanto o mundo discute o caos das guerras e os desmandos políticos, a vida — essa dançarina imprevisível — ensaia tragédias no palco das alturas. O amor, que deveria ser o protagonista do dia, deu lugar ao luto, e o céu, mais uma vez, virou testemunha silenciosa de um adeus coletivo.
E assim seguimos, num país que tenta celebrar o amor enquanto tropeça nas pedras do descaso, na lama da corrupção e nas enchentes das más gestões. O Brasil é como um casal em crise: diz que se ama, mas vive brigando por bobagem; promete mudança, mas repete os mesmos erros; faz juras eternas, mas trai na primeira oportunidade.
Feliz Dia dos Namorados? Talvez. Mas que ninguém se esqueça: o amor precisa de mais do que flores — precisa de respeito, justiça, empatia e, quem sabe, uma CPI para investigar quem anda roubando nosso futuro e nosso sossego.
Porque amar o Brasil é, acima de tudo, um exercício diário de esperança em meio ao caos.




