CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de janeiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de janeiro de 2026
Publicado em 13/01/2026 às 15:31

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Vamos fazer a leitura com carinho da crônica.
Com calma, como quem sopra a poeira do tempo sobre um retrato antigo, porque as notícias — essas criaturas inquietas — pedem colo antes de pedirem opinião.

O dia 12 amanheceu com cheiro de pipoca misturado a maresia, desses que confundem o nariz e a alma. Em Aracaju, o cinema abriu sessões extras para O Agente Secreto, recém-batizado com o perfume dourado do Globo de Ouro. O filme virou peixe grande em aquário pequeno: entrou manso, saiu gigante. As cadeiras rangiam de expectativa, os olhos piscavam como faróis, e o WhatsApp da bilheteria virou confessionário de ansiedade coletiva. A arte, quando vence, não anda — ela corre. E corre tanto que pede sessão extra para não tropeçar no próprio aplauso. 🎬

Enquanto isso, o Rio São Francisco, velho sábio de barba d’água, resolveu ensinar uma lição prática sobre equilíbrio. Um barco naufragou porque o medo correu para o mesmo lado. O susto tem pés apressados e cérebro curto. Todos de colete salva-vidas, graças a Deus, todos vivos — mas o rio anotou em sua caderneta líquida: pânico é peso extra. O São Francisco, personificado em professor severo, bateu o sino da aula: “a vida flutua melhor quando a gente não corre junto com o medo”.

No tablado da economia, o Banco Master encenou um drama de tribunal: defesa com bala de festim e risco de ricochete. O TCU, com a gravata do tempo e o olhar clínico, sinaliza que o Banco Central pode sair do palco com a razão nos bolsos. A metáfora é clara: quando a estratégia mira o próprio pé, o gatilho vira professor de anatomia. Ironia hiperbólica? Talvez. Mas há tiros que não fazem barulho — fazem jurisprudência.

E lá fora, no teatro geopolítico onde os holofotes nunca esfriam, Trump anunciou tarifas como quem fecha a porta com força para ver quem treme do lado de fora. Vinte e cinco por cento de imposto para quem flertar com o Irã. O mundo, esse salão de baile nervoso, ficou contando pistaches, ureia e uvas secas como se fossem passos de valsa. O Brasil, convidado que dança olhando o relógio, pode sentir o puxão no braço da economia. Tarifas são cercas: não impedem o vento, mas mudam o caminho das folhas.

Assim, o dia 12 caminhou em ritmo sincopado — cinema em festa, rio em lição, banco em suspense, planeta em tensão. As notícias, todas juntas, sentaram à mesa da sensibilidade humana e pediram café forte. Entre o riso e o susto, entre a arte que salva e o medo que pesa, ficou a reflexão: viver é aprender a distribuir o peso, escolher o lado certo do barco, pagar ingresso para o que eleva e imposto para o que ensina.

E que amanhã venha com sessões extras de empatia, coletes de lucidez e tarifas menores para a esperança. Porque o mundo já é caro demais quando falta humanidade.