CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de Agosto de 2025

Uma Terça-Feira triste um amigo partiu para eternidade.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de Agosto de 2025
Publicado em 13/08/2025 às 10:01

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

A terça-feira amanheceu com um céu de algodão-doce cinzento, desses que não enganam: ou vai chover ou vai chover, e pronto. Mas antes que as nuvens decidissem seu roteiro, o dia já trazia em si um prólogo amargo — a partida do meu amigo Evandro Góis. Vinte e um dias de luta contra uma pneumonia, vinte e um capítulos de uma história que não queria acabar, até que a última linha foi escrita com tinta invisível. Hipóxia cerebral, disseram os médicos. Mas para quem o conheceu, a falta de oxigênio mesmo foi no peito de quem ficou, que agora respira aos soluços. Muita luz para Evandro que Deus o receba de braços abertos. Meus sinceros sentimentos para toda família enlutada.

Enquanto uns choram a ausência, outros tentam abrir janelas para ventilar a justiça. O Ministério Público de Sergipe resolve destampar a panela de pressão da 4ª Delegacia Metropolitana, depois que a OAB apontou que ali, em janeiro, uma advogada teve seu trabalho tratado como papel amassado. É a cena clássica: justiça de toga tropeçando na própria barra da capa, e o cidadão assistindo, sem saber se aplaude ou pede o VAR.

Mas nem só de processos se vive. Em Aracaju, a zabumba, a sanfona e o triângulo afinam-se no Fórum Nacional do Forró. Um evento que tenta preservar a cultura enquanto o país, distraído, dança um forró desafinado no palco político.

E tem golpe novo na praça — não o de Brasília, mas o de “falsa entrega”. Um sujeito que achou que a malandragem via SEDEX daria certo foi preso em Minas, provando que o crime não compensa, mas viaja muito.

Sergipe, pequeno no mapa, grande na ousadia, agora também é território dos carros elétricos. A venda cresce, talvez porque o povo já tenha cansado de trocar vela, óleo e paciência. Enquanto isso, pesquisadores sergipanos se debruçam sobre o câncer de intestino, mostrando que há quem trabalhe para curar as entranhas, enquanto outros se esforçam para apodrecer o coração do país.

O esporte também tenta soprar vida: Sergipe se destaca no turismo esportivo, como se dissesse ao mundo: “venha suar aqui, mas de felicidade”. Lá no litoral catarinense, uma onda de 15 metros — a “Nazaré Brasileira” — foi surfada. Enquanto uns desafiam a gravidade, outros ainda tropeçam no degrau da ética.

A Mega-Sena acumulou, subindo para R$ 47 milhões. Milhões que, se caíssem na minha conta, seriam usados para as grandes prioridades nacionais: pagar as contas atrasadas, comprar pão sem pedir fiado e, quem sabe, bancar um congresso de políticos só para ver se alguém aparece.

Do lado diplomático, Lula pega o telefone e liga para a China, pedindo apoio contra o “tarifaço” de Trump. Promete R$ 30 bilhões aos exportadores. É como tentar curar dor de dente com anestesia para a unha: alivia um lado, mas o outro continua latejando.

E enquanto o mundo negocia tarifas e lucros, Gaza geme. Vinte e seis países pedem o desbloqueio da ajuda humanitária, enquanto Israel anuncia planos para tomar o território. É como assistir a um incêndio e brigar para decidir quem segura a mangueira, enquanto a casa queima e grita.

No fim, fechei o jornal como quem fecha uma porta para abafar o barulho da rua. Mas as notícias, essas teimam em se infiltrar pelas frestas. Hoje, percebo que viver é um eterno surfe: umas ondas são pequenas e tranquilas, outras têm 15 metros e vêm com força de ciclone. O problema é que, aqui no Brasil, a prancha é sempre emprestada e o colete salva-vidas, muitas vezes, furado.