CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu nesta segunda-feira parecendo um circo montado no meio de um posto de gasolina: qualquer faísca emocional podia explodir em tragédia, gargalhada ou revolta. Enquanto o sol espreguiçava seus raios amarelos sobre os telhados de Sergipe, um cachorro em Porto da Folha arrastava não apenas o corpo preso numa corda, mas também a vergonha da humanidade pelas ruas da indiferença. Ah, meu leitor… naquele instante até o asfalto parecia chorar óleo diesel de tristeza, e o vento, revoltado, corria feito fofoqueira de feira livre espalhando indignação pelas esquinas. O homem na motocicleta parecia pilotar não uma moto, mas uma carroça medieval puxada pela crueldade humana, enquanto o pobre animal corria atrás da própria dor como quem tenta alcançar a última migalha de dignidade deixada por uma sociedade que às vezes troca coração por escapamento barulhento. E o povo da internet? Virou uma mistura de justiceiro, filósofo e comentarista de bar: cada um mais acelerado que liquidificador sem tampa.
E lá em Brasília, aquela usina nuclear de vaidades e gravatas apertadas, o senador Ciro Nogueira trocou de defesa jurídica como quem troca pneu furado em estrada esburacada da política nacional. Quando político muda advogado no Brasil, meu amigo, até o cafezinho do Congresso começa a suar frio. Os corredores de Brasília ficaram parecendo novela mexicana misturada com tribunal de reality show. Os assessores andavam de um lado para o outro iguais baratas tontas fugindo de chinelo institucional, enquanto os jornalistas farejavam notícias como cães atrás de caminhão de carne. O brasileiro já olha essas movimentações políticas com o mesmo entusiasmo de quem vê promoção de guarda-chuva em dia de enchente: sabe que vem tempestade. E a ironia gargalhava no canto da sala igual uma tia fofoqueira em velório político.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, o petróleo subia mais rápido que preço de cuscuz em feira de interior depois de chuva forte. O impasse entre Estados Unidos e Irã deixou o Estreito de Ormuz parecendo panela de pressão esquecida no fogo da geopolítica mundial. O barril de petróleo virou menino danado: quanto mais o mundo tenta segurar, mais ele sobe fazendo pirraça econômica. E aqui no Brasil o cidadão já olha para o posto de gasolina como quem visita parente rico: entra só para olhar e sair triste. O combustível parece perfume francês: bonito de ver, caro de sentir e impossível de respirar sem chorar. Até os carros estão andando com depressão financeira; alguns já fazem barulho de tosse asmática quando ligam.
Ah, Brasil… tu és um samba desafinado tocado por uma banda de sobreviventes emocionais. Num canto, cachorro pedindo piedade; no outro, políticos jogando xadrez em tabuleiro de fumaça; e no meio disso tudo o povo tentando viver, rir, pagar boleto e não enlouquecer. Mas brasileiro é bicho estranho: tropeça na tristeza e cai dentro da piada. A dor aqui usa fantasia de humor para sobreviver. E talvez seja justamente isso que nos mantém vivos: essa capacidade quase sobrenatural de rir enquanto o mundo desmonta ao redor igual guarda-roupa barato em mudança de aluguel.




