CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de junho de 2025
11 de junho de 2025 um dia de festa e despedida.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
“Do Batuque ao Breu: Um 11 de Junho entre Velas, Verbas e Verdades”
Japaratuba amanheceu de vestido novo, rendada de história e perfume de saudade. Hoje, a menina centenária celebrou mais um aniversário de emancipação política. Mas, como toda dama antiga que sabe das coisas, a cidade também chorou. E chorou bonito. Chorou com a delicadeza de quem lembra – não do que perdeu, mas do que valeu a pena viver.
Dona Nazilde, essa estrela que brilhou primeiro nos terreiros do saber e depois nos palcos do folclore pirambuense, deixou o palco principal. Foi dançar com os anjos, sem precisar ensaiar. Ela, que um dia me disse com voz tímida e sonho gigante: “Quero aprender a ler pra contar estória pra minha netinha”, virou poesia viva no meu caderno de memórias. E, cá pra nós, ela nunca foi só aluna. Foi mestra em esperançar. Fundadora do grupo Ilariô, guardiã das danças que a cultura quase esquece, ela virou saudade no compasso do xote.
Mas enquanto Japaratuba soprava velas de história, Sergipe tentava não apagar as suas. O MPF, como bombeiro institucional, sugeriu suspender as demissões na FHS. Tentam salvar vidas e empregos com as mãos que ainda restam no SUS remendado. Mas… querem fazer isso trocando os temporários por concursados. Que lógica mágica é essa que manda embora o que funciona antes de garantir o que funciona melhor?
Em Aracaju, o INSS virou jogo de paciência: faltou energia elétrica. Velhinhos esperando perícia na penumbra, servidores soprando velas em vez de digitar senhas. Parece que a aposentadoria no Brasil não é o fim da jornada… é só o começo de outra fila.
Do outro lado da quadra, Bernardinho estalou os dedos e o vôlei brasileiro renasceu. Darlan e Cachopa jogaram como se as mãos deles tivessem rezado antes de sacar. Deram um baile no Irã. A seleção voltou a sorrir, e o Maracanãzinho vibrou como se cada ponto fosse um tapa no desânimo. Vitória limpa, direta, sem CPI nem VAR.
Enquanto isso, o atacante Bruno Henrique, aquele do Flamengo, trocou o campo pelo banco dos réus. Denunciado por fraude esportiva e estelionato, arrastou no mesmo bonde a família inteira – irmão, cunhada e prima. Parece novela, mas sem trilha sonora. A bola agora está nas mãos da Justiça. E a torcida? De olhos arregalados, querendo saber se ele vai driblar essa também.
Lá fora, nos corredores do Itamaraty, começou a ciranda da extradição da deputada foragida: Zambelli. O Ministério da Justiça deu o passe, e agora é a diplomacia que precisa marcar o gol. A Itália, acostumada a pizza e processos longos, decide se entrega a protagonista do mais recente roteiro político-judicial brasileiro.
E falando em responsabilizar, o STF fez mais que julgar: botou as redes sociais na parede. Formou-se maioria para que as empresas respondam pelo conteúdo dos usuários. A reação do Google foi um samba de gafieira: “Responsabilizar não resolverá o problema”. É como se o açougue dissesse que a carne podre é culpa do boi.
Enquanto isso, em Israel, o parlamento decidiu: Netanyahu fica. Mais uma dança das cadeiras em que o maestro continua no comando da orquestra, mesmo que a sinfonia esteja desafinada. Sessenta e um votos contra novas eleições. O povo segue, portanto, no compasso das decisões do velho maestro.
E assim termina o dia 11 de junho de 2025: com velas acesas para Japaratuba e o adeus para Nazilde; com partidas vencidas na quadra, e outras perdidas nos bastidores da política e da justiça.
No Brasil das mil manchetes, há sempre um fio invisível ligando o batuque de um grupo folclórico à queda de energia no INSS. Tudo é sintoma. Tudo é sinal. Mas enquanto houver quem deseje aprender a ler só para contar histórias, como fez Dona Nazilde, há esperança. Porque é na leitura do mundo – ainda que à luz de velas – que resistimos.
Professor Antonio Glauber Santana Ferreira
De Japaratuba, onde a memória é resistência e a crônica é um ato de amor.




