CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O mundo acordou no dia 11 de abril como quem espreguiça a própria consciência: meio preguiçoso, meio desconfiado, como se a realidade fosse um café amargo servido sem açúcar — e ainda assim obrigatório.
Em Sergipe, a CNH resolveu tirar férias da burocracia. De repente, renovar documento virou passeio no parque, como se o velho carimbo estatal tivesse sido substituído por um abraço administrativo. Mais de 3,6 mil condutores, antes prisioneiros da fila e do suspiro, agora desfilam com suas habilitações renovadas como quem ganha uma medalha invisível. É o Estado, esse elefante de passos lentos, tentando aprender a dançar forró em ritmo acelerado. Milagre? Evolução? Ou só uma pausa estratégica no caos? Fica a dúvida, essa eterna passageira do banco de trás.
Enquanto isso, em algum canto do supermercado, a mostarda — coitada, sempre tão discreta — virou protagonista de um drama digno de novela das nove. A Anvisa, vigilante como uma mãe desconfiada, decidiu puxar a orelha do tempero: rótulo estranho, validade suspeita… A mostarda, que só queria colorir o sanduíche, agora carrega o peso de um interrogatório. E a empresa, com ares de quem não reconhece o próprio filho na porta, diz: “Não é nosso!”. Eis o teatro da desconfiança — onde até o condimento precisa provar sua identidade.
E lá fora, no grande palco geopolítico, Irã e Estados Unidos brincam de cabo de guerra com palavras afiadas. A diplomacia virou um jogo de xadrez onde as peças se recusam a se mover. O Irã diz que não confia. Os Estados Unidos dizem que tentaram. E o mundo assiste, como quem vê dois gigantes discutindo sobre quem começou a briga, enquanto o tabuleiro treme sob os pés da humanidade. É o diálogo que não dialoga, a conversa que não conversa — apenas ecoa.
E assim seguimos: entre documentos que se renovam sozinhos, mostardas que viram suspeitas e potências que conversam sem ouvir. O dia 11 de abril foi um retrato pintado com tintas de ironia — onde o simples vira complexo, e o complexo insiste em ser incompreensível.
No fim, o mundo não acordou… ele apenas abriu os olhos, ainda sonolento, tentando entender se o que vê é realidade ou mais um capítulo dessa novela chamada humanidade.
E nós? Seguimos aqui, espectadores e personagens, rindo para não chorar — porque, afinal, até a mostarda já aprendeu: neste mundo, até o gosto pode ser questionado.




