CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 06 de Junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O sábado amanheceu vestido de chita, chapéu de palha e sorriso largo. Em Aracaju, a velha e charmosa Marinete do Forró voltou a desfilar pelas ruas como uma avó dançarina que se recusa a aposentar os passos. O ônibus jardineira parecia uma sanfona gigante sobre rodas, soprando memórias, espalhando acordes e recolhendo passageiros como quem colhe estrelas no terreiro de junho. Enquanto isso, os turistas embarcavam numa viagem onde o GPS era substituído pelo coração e onde cada esquina tocava um xote diferente. Se o trânsito reclamou, reclamou baixinho, porque até os semáforos pareciam balançar no ritmo do forró.
Mas nem tudo no grande circo chamado Brasil era festa. Lá em Brasília, os penduricalhos do Judiciário resolveram aparecer para o retrato oficial. O ministro Edson Fachin anunciou um pente-fino nos benefícios que, de tão numerosos, pareciam cipós pendurados numa árvore centenária. Havia tanto penduricalho que alguns já precisavam de penduricalhos para sustentá-los. A tesoura da transparência foi convocada para aparar a floresta de adicionais, gratificações e vantagens que muitas vezes desafiam a lógica do cidadão comum. O povo observava a cena como quem assiste a um mágico revelar o segredo do truque: curioso, desconfiado e torcendo para que o coelho realmente saia da cartola da moralidade.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, Gaza continuava chorando lágrimas de pólvora. Os drones cruzavam o céu como aves de ferro sem coração, e a guerra seguia cobrando seu imposto mais cruel: vidas humanas. Crianças, pais, mães e sonhos eram arrancados do mundo antes mesmo de terminarem suas histórias. A humanidade, que já enviou sondas ao espaço e criou máquinas inteligentes, ainda tropeça nas pedras primitivas do ódio. É como se o planeta fosse uma casa enorme onde alguns insistem em apagar a luz dos quartos vizinhos.
E assim seguiu o dia 6 de junho de 2026: entre o forró que abraça, os contracheques que intrigam e as guerras que entristecem. O mundo dançou entre o riso e a lágrima, entre a sanfona e o silêncio, entre a esperança e a inquietação. Porque viver é exatamente isso: caminhar numa estrada onde a alegria vende milho assado na esquina, enquanto a tristeza toca campainha sem avisar.
No fim da noite, a lua olhou para tudo lá de cima e talvez tenha pensado: “Os seres humanos são mesmo curiosos… dançam forró para esquecer os problemas, criam problemas para depois tentar resolvê-los e, mesmo assim, continuam acreditando que amanhã será melhor.” E talvez seja justamente essa teimosia bonita chamada esperança que mantém o mundo girando.
Porque, apesar de tudo, junho continua acendendo fogueiras no coração da gente. E enquanto houver uma sanfona tocando em alguma esquina, ainda haverá motivos para acreditar que o amor pode fazer mais barulho do que a guerra.




