CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, caro leitor e cara leitora… puxe a cadeira, ajeite o coração, sirva um café — se não tiver café, sirva coragem mesmo, porque o noticiário de hoje veio pesado como nuvem de chumbo carregada de trovão.
O dia amanheceu com uma notícia que parecia uma faca atravessando o silêncio da manhã. Em Aracaju, um homem matou três familiares e terminou morto após a ação policial. A tragédia não bateu na porta — arrombou. Entrou sem pedir licença, derrubando paredes invisíveis que ainda tentamos manter de pé dentro das famílias.
A violência, às vezes, não vem de longe… nasce dentro de casa, como um incêndio que começa em um fósforo esquecido sobre a mesa. E quando se percebe, já consumiu telhado, memória e esperança.
O mais doloroso não é apenas o crime — é a pergunta que fica vagando no ar como um fantasma sem descanso: em que momento o afeto virou ruína? Em que esquina da vida o diálogo foi atropelado pela fúria?
E uma criança viu tudo.
A infância, que deveria ser feita de pipas, desenhos tortos e risadas com gosto de bolo, foi obrigada a olhar para o rosto mais cruel da realidade. A vida, às vezes, é um livro que rasga páginas antes mesmo de terminar o primeiro capítulo.
E enquanto a tragédia gritava nas manchetes, outro tipo de barulho também crescia — o dos trotes para o Corpo de Bombeiros.
Ah, o trote… essa piada de gosto tão amargo que nem o diabo pede repeteco. Enquanto alguém liga para brincar, pode haver um incêndio real esperando socorro, um acidente, uma vida pendurada por um fio invisível. Brincar com emergência é como puxar a escada de quem está tentando sair do poço.
Tem gente que acha graça… mas é um riso oco, daqueles que ecoam como lata vazia rolando no chão.
E o Brasil, esse velho teatro de absurdos que nunca fecha as cortinas, também discutia salários, penduricalhos e tetos que, curiosamente, parecem ter elástico. Há tetos que são mais parecidos com redes de circo — esticam, balançam, acomodam… e ninguém cai.
Enquanto isso, o trabalhador comum olha o próprio salário como quem olha um pão pequeno tentando alimentar uma família grande. O dinheiro evapora antes do fim do mês, como água em panela quente.
E falando em dinheiro… o Banco Central revelou que bilhões continuam esquecidos nos bancos. Dinheiro esquecido!
É curioso… tem gente que esquece bilhões, e tem gente que não consegue esquecer uma conta de luz atrasada. O Brasil é um país onde o esquecimento também tem classe social.
Mas o mundo não vive só de calor, política e tragédia. Lá longe, na Estônia, o frio resolveu virar estrada. O mar congelou tanto que virou caminho — uma estrada de gelo entre ilhas.
Veja que ironia poética… enquanto aqui o calor ferve e os ânimos também, lá o frio é tão intenso que transforma água em chão. A natureza, essa professora antiga, vive nos lembrando que tudo muda de forma, mas nada deixa de existir.
Talvez a dor também seja assim… congela, endurece, mas continua ali, esperando o degelo.
E no meio de tantas notícias, a gente vai seguindo… respirando, lutando, rindo quando dá, chorando quando precisa. A vida não é uma linha reta — é uma estrada esburacada onde às vezes a gente dança, às vezes tropeça, e às vezes precisa apenas sentar no meio-fio da alma e descansar um pouco.
Porque, no fim das contas, viver é isso: continuar, mesmo quando o mundo parece pesado demais para carregar.
E amanhã… ah, amanhã o sol nasce de novo.
Mesmo que o céu esteja nublado, ele sempre nasce.
E isso, meu amigo, minha amiga… já é um milagre diário que a gente quase nunca percebe.




