CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de dezembro de 2024

Giro de notícias do 10 de dezembro num mundo onde árvores caem, hematomas assustam, flores enganam e a carne pesa mais que o ouro.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de dezembro de 2024
Publicado em 11/12/2024 às 7:42

Abram as janelas dos seus olhos e boa leitura

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No palco do cotidiano, o dia 10 de dezembro de 2024 encenou um drama peculiar, com risos amargos, lágrimas sinceras e aplausos confusos. Era como se a vida tivesse decidido misturar Shakespeare e um programa de variedades, criando um espetáculo onde cada ato era mais paradoxal que o anterior.

Em Sergipe, a solidariedade mostrou seu rosto emoldurado por números promissores: um aumento de 60% nos doadores de órgãos. Mas, vejam só, o transplante – o ato final desse altruísmo – ficou preso no limbo burocrático, como uma orquestra afinada sem maestro. É ironia ou tragédia? Talvez seja apenas o Brasil, onde esperança e frustração dançam um forró sem fim.

Enquanto isso, nas ruas de Aracaju, um falso motoboy brincava de Papai Noel ao avesso, entregando flores perfumadas com fraude. O golpe do presente – ah, que título poético para um crime tão mesquinho! – faz pensar que, no teatro da malandragem, até as rosas têm espinhos digitais. E no final, quem paga a conta é sempre o coração alheio.

Já em São Paulo, o presidente Lula nos deu um susto, protagonizando seu próprio episódio de “House”. Uma dor na cabeça, uma cirurgia urgente e, no desfecho, um boletim médico que parecia escrito por um poeta otimista: “Encontra-se bem.” Por ora, o comandante segue firme, mas o Brasil, esse paciente crônico, ainda precisa de um longo tratamento.

Longe daqui, em Bali, uma árvore gigante desabou como se quisesse lembrar à humanidade que a natureza, com toda sua beleza, também pode ser cruel. Turistas sucumbiram sob a sombra eterna, enquanto os macacos observavam em silêncio, talvez refletindo sobre o peso de um mundo onde até as árvores perdem o equilíbrio.

E falando em peso, o IPCA resolveu dar um salto em novembro, puxado pelas carnes – o prato principal de nossas preocupações. Comer virou um ato de resistência, enquanto o bolso do brasileiro implora por um alívio que nunca vem. A inflação, essa velha conhecida, continua dançando conforme a música desafinada da economia.

No Senado, um lampejo de esperança: a aprovação de um programa para impulsionar a energia renovável. Seria o início de um novo capítulo? Ou apenas mais uma promessa que se esvai ao vento, como tantas outras? A resposta, como sempre, depende de quem escreverá o próximo ato.

E na Venezuela, o palco da tragédia humanitária permanece sombrio. Uma ativista, detida há dez meses, carrega no corpo as marcas de um sistema que não sabe o significado de justiça. Uma fratura não tratada por quatro meses é mais que uma metáfora: é uma denúncia, um grito sufocado que ecoa além das grades.

No fim do dia, resta-nos a reflexão. O mundo, com todas as suas contradições, continua girando, enquanto nós, meros espectadores, tentamos encontrar sentido nesse roteiro caótico. Que possamos, ao menos, aplaudir as pequenas vitórias e aprender com os grandes erros, pois a vida, assim como o teatro, é feita de improvisos e lições.

Fechem as cortinas e abram os olhos. O espetáculo ainda não acabou.