CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 09 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, caro leitor e leitora, puxem a cadeira, ajeitem o coração e respirem fundo, porque o noticiário de hoje veio servido em pratos quentes, frios e, sobretudo, metaforicamente apimentados.
O dia amanheceu derramando água do céu, mas negando água do chão. Em quatro cidades sergipanas, a adutora decidiu fazer birra: rompeu-se como quem rasga a própria roupa num ataque de nervos hidráulicos. Poço Redondo, Monte Alegre, Porto da Folha e a zona rural de Glória ficaram com as torneiras soluçando seco, como boca de cantador sem verso. A Iguá correu, claro — dizia que as equipes já estavam no local, tentando costurar o cano como quem repara o vestido da noiva minutos antes da marcha nupcial. Enquanto isso, o povo esperava a água voltar como quem espera milagre repetido: com fé, desconfiança e um balde na mão.
Mas a sede do dia não era só por água. Brasília, sempre ela, resolveu demonstrar sua elasticidade moral. A Câmara dos Deputados aprovou um texto reduzindo penas de condenados por atos golpistas — uma espécie de yoga jurídica, onde a lei se estica até abraçar quem deveria apenas ser observado de longe. E, veja só, não deu nem tempo de o café esfriar: o gesto pode abrir portas para Bolsonaro, Ramagem (que anda passeando nos EUA como quem foge do boleto da realidade), Braga Netto e Heleno. É o roteiro perfeito: Brasil, o país onde até a punição pega carona numa carrocinha velha e vai perdendo parafusos no caminho.
Se o projeto for sancionado, Bolsonaro seguirá preso por mais 2 anos e 4 meses — tempo suficiente para aprender crochê, meditar, plantar manjericão e talvez, quem sabe, ensaiar uma autocrítica que nunca chega. Mas não criemos expectativas: o Brasil já ensinou que a esperança cai do cavalo, levanta, sacode a poeira e continua sendo iludida no capítulo seguinte.
E, por falar em cavalo, nos EUA teve avião pousando em cima de carro. Sim, leitor — o céu decidiu brincar de estacionamento. Uma aeronave fez pouso de emergência em plena rodovia e cansou de procurar vaga: escolheu um carro. O motorista saiu com ferimentos leves, o piloto saiu ileso, e a notícia saiu parecendo piada pronta. Nesse ritmo, não duvido que amanhã um submarino resolva estacionar em um estacionamento de shopping para “manutenção”.
O mundo anda tão surreal que até o improvável está pedindo música.
E assim fechamos o dia, nesse carrossel de absurdos, onde adutoras desabam, leis amolecem, aviões descem e o povo segue tentando subir.
Até amanhã, caro leitor e leitora — se a realidade permitir.




