CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 09 de abril amanheceu com a cidade vestindo um casaco invisível — desses que não protegem do frio, mas escondem o que ninguém quer ver. Em Aracaju, o jornalista Anderson Barbosa resolveu puxar esse casaco pelo fio da consciência e desfiar, página por página, o tecido do esquecimento. Seu livro, INvisíveis, não é apenas papel e tinta — é um espelho sem filtro, onde a sociedade se olha e, constrangida, desvia o olhar como quem vê a própria alma desalinhada. Porque há gente morando nas calçadas enquanto o mundo mora na pressa. Há vidas que passam como vento sem endereço, e a cidade, essa senhora elegante, finge não sentir o cheiro da própria omissão.
Enquanto isso, no tribunal — esse teatro de gravatas e decisões — a justiça resolveu dar um puxão de orelha no improviso administrativo. A Adema, que deveria ser guardiã da natureza, parecia mais uma novela de elenco improvisado: atores fora do roteiro, figurantes fazendo papel principal. E eis que o juiz entra em cena como diretor exigente: “Corta! Refaz com concursados!” Porque até o meio ambiente, coitado, anda cansado de ser fiscalizado por quem não deveria estar ali — é como colocar um peixe para cuidar da água poluída e esperar que ele reclame.
E no meio desse Brasil que equilibra pratos na corda bamba, surge a promessa de um alívio financeiro — o FGTS abrindo as portas como um cofre que decide respirar. Dezessete bilhões de reais dançam no horizonte como um oásis no deserto das dívidas. Mas cuidado: nem todo oásis é água, às vezes é miragem com juros disfarçados de salvação. O trabalhador, esse equilibrista de boletos, olha para a proposta como quem vê uma boia no mar revolto — sem saber se salva ou só adia o afogamento.
Lá fora, no tabuleiro global, Estados Unidos e Irã ensaiam uma dança diplomática no salão de Islamabad. É um tango tenso, onde cada passo pode ser paz ou tropeço. O mundo prende a respiração como plateia de circo: será espetáculo de reconciliação ou mais um ensaio de conflito? Porque a paz, meus caros, é uma borboleta delicada — qualquer movimento brusco e ela foge, deixando apenas o barulho das botas no chão.
E assim seguimos… entre invisíveis que gritam em silêncio, decisões que tentam colocar ordem na bagunça, promessas que flertam com a esperança e acordos que caminham na corda bamba da história. O Brasil, esse velho poeta cansado, continua escrevendo versos tortos — mas ainda há tinta, ainda há voz, ainda há quem ouse enxergar.
E talvez seja isso que nos salva: a insistência em ver o que o mundo insiste em esconder. Porque pior do que a miséria é a indiferença — essa sim, a verdadeira epidemia que ninguém quer noticiar.




