CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos viajar pelas notícias deste sábado, 04 de julho. Apertem os cintos da imaginação, porque o trem da realidade resolveu correr sobre os trilhos da ironia! Em Sergipe, anunciaram um VLT de mais de setecentos milhões de reais. Que maravilha! O futuro já comprou passagem, embora ainda esteja esperando o apito da estação. O povo, especialista em transformar esperança em café requentado, já faz piada: “O VLT é tão leve que, por enquanto, só viaja nos discursos.” Mas sonhar também movimenta trilhos invisíveis, e quem sabe o progresso resolva desembarcar sem perder a conexão com a paciência.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, Teerã vestia o luto como quem cobre o céu com um lençol de silêncio. O funeral de Ali Khamenei reuniu multidões, bandeiras, lágrimas e gritos que pareciam disputar espaço com o eco da guerra. A humanidade continua sendo uma velha orquestra desafinada: alguns carregam flores, outros carregam bombas; uns escrevem poemas, outros insistem em escrever a História com pólvora. A paz, coitada, permanece na fila de espera, segurando uma senha que nunca é chamada.
E eis que surge a Mega-Sena, essa poetisa do impossível, distribuindo esperança em bilhetes de papel. Ninguém acertou as seis dezenas, e os milhões cresceram como bolo de festa de aniversário. O prêmio agora vale R$ 38 milhões, fazendo até o colchão sonhar em virar conta bancária. Tem gente que já escolheu a mansão, o iate, o jatinho e até o nome do cachorro milionário… só esqueceu de combinar com as bolinhas do sorteio, que adoram brincar de esconde-esconde com a sorte.
Assim caminha o mundo: um trem prometendo o amanhã, um funeral lembrando a fragilidade da vida e uma loteria vendendo sonhos embalados em números. O destino é um humorista talentoso: faz rir, faz chorar e, às vezes, faz as duas coisas ao mesmo tempo. No fim das contas, a vida continua sendo esse enorme vagão onde embarcam a esperança, a saudade, a crítica, o riso e a fé. E enquanto o relógio insiste em empurrar o tempo para a próxima estação, seguimos viajando, porque parar… ah, parar só mesmo quando a última notícia resolver descansar.




