CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O domingo resolveu escrever poesia com a tinta da ironia. Enquanto o calendário, esse contador de rugas metido a importante, soprava mais uma vela, um sergipano de Aracaju, hoje morador de Mato Grosso do Sul, dançava aos 114 anos como quem havia assinado um contrato de aluguel com a juventude. Antônio José olhou para o tempo, deu uma piscadinha marota e pareceu dizer: “Você envelheceu, meu caro calendário, eu apenas colecionei aniversários!” A gravata-borboleta sorria, o suspensório abraçava a esperança e o chapéu fazia continência para a vida. Havia mais vitalidade naquele aniversariante do que em muito jovem que vive cansado até de reclamar!
Enquanto isso, a Seleção Brasileira resolveu brincar de montanha-russa emocional. Subiu na esperança, despencou na realidade e desembarcou nas oitavas de final, onde a Noruega, conduzida por Haaland, transformou o sonho do hexa numa pipa sem vento. O pênalti perdido parecia ter comprado passagem só de ida para o Museu das Tristezas Futebolísticas. O torcedor, esse poeta que sofre de chuteira, abraçou a televisão como quem tenta consolar um parente distante. E o hexa? Ah… o hexa resolveu tirar férias prolongadas e deixou apenas um bilhete: “Volto qualquer dia… talvez!”
Lá do alto, um satélite assistia à Terra como um vigia cósmico e fotografava o supertufão Bavi chegando com a delicadeza de um elefante dançando balé numa cristaleira. O vento parecia ter engolido um foguete, as nuvens rugiam como leões enfurecidos e o oceano batia palmas de espuma para um espetáculo que ninguém desejava assistir. A natureza, quando decide discursar, dispensa microfone e transforma o céu em tambor.
Mas a vida também conhece o idioma do silêncio. O povoado São José, em Japaratuba, vestiu-se de saudade com a partida de Maria das Graças, a querida Bibi. Há pessoas que não vão embora; apenas mudam de endereço e passam a morar definitivamente na memória de quem as amou. O luto é uma chuva mansa que molha o coração sem pedir licença. Que Deus conforte seus familiares e amigos, transformando as lágrimas de hoje em lembranças eternamente iluminadas.
E assim terminou este domingo: um homem de 114 anos ensinando que viver é uma arte, uma Seleção lembrando que nem toda esperança veste chuteiras, um tufão mostrando que a natureza continua sendo a maior cronista do planeta e uma despedida provando que o amor nunca aprende a dizer adeus. A vida é uma grande orquestra desafinada: num canto alguém dança, no outro alguém chora, mais adiante alguém perde uma Copa e, logo ali, outro vence o tempo. Talvez seja esse o maior gol da existência: continuar sorrindo, mesmo quando o placar insiste em favorecer a tristeza.




