CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 08 de Dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 08 de Dezembro de 2025
Publicado em 09/12/2025 às 0:37

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 08 de dezembro amanheceu com o céu vestido de festa, como quem abre o armário do infinito para escolher o azul mais bonito em honra a Nossa Senhora da Saúde, padroeira de Japaratuba. A cidade respirou incenso e esperança: as ruas viraram rosários vivos, as velas tremularam como pequenos corações acesos, e a procissão caminhou lenta, quase dançando, como se o próprio vento carregasse os pés dos fiéis. Era dia de fé. Dia de pedido. Dia de abraço no invisível.

Mas enquanto Japaratuba subia preces, em outro lado do estado de Sergipe descia notícias com a mesma elegância de um tropeço. Lá em Ilha das Flores, um peixe-boi — essa criatura mansa, com alma de travesseiro molhado — resolveu aparecer para lembrar que a natureza continua resistindo, mesmo quando os humanos insistem em não resistir a mexer onde não devem. Os biólogos pediram: “Não interajam!”. Mas sempre existe um cristão disposto a achar que bicho grande é brinquedo, que peixe-boi é boia de piscina divina.

Já o boletim Focus, esse horóscopo oficial da economia, decidiu acordar otimista: inflação caindo, crescimento subindo… parecia até milagre de Nossa Senhora da Saúde economista. Só faltou o Banco Central distribuir vela ungida e planilha abençoada na porta. Mas como bom brasileiro desconfiado, a gente olha para esses números com o mesmo cuidado com que olha um bolo bonito demais: será que presta?

E lá nos Estados Unidos, país que se acha manual de primeiro mundo, uma mulher deu à luz na rodovia porque teve atendimento negado. A cena parece saída de uma novela ruim escrita por um roteirista apressado: pneus chiando, vida nascendo, direitos sumindo. Ironia trágica: em pleno século XXI, tem criança nascendo no asfalto enquanto hospitais levantam muros invisíveis.

Assim foi o dia: fé subindo, economia prometendo, peixe-boi aparecendo, saúde negando…
E nós, no meio disso tudo, seguimos caminhando — entre rezas, risos, ironias e esperança — pedindo que Nossa Senhora da Saúde cure não só os corpos, mas o mundo inteiro, que anda doente de prioridades tortas.

Amém, Japaratuba. E que amanhã venha com menos absurdo e mais milagre.