CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Fevereiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Fevereiro de 2026
Publicado em 08/02/2026 às 4:50

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Começamos a crônica de hoje com uma notícia triste, daquelas que chegam devagar, como uma nuvem cinza atravessando o céu do coração: faleceu Branco de Seu Calisto, morador do Povoado Sibalde em Japaratuba. Branco trabalhou para meu saudoso pai… e quando a gente perde alguém assim, não é só uma pessoa que parte — é um pedaço de memória que fecha a porta devagar, fazendo o silêncio ranger como madeira antiga.

Branco era daqueles homens que não faziam discurso, mas construíam história com o suor. Homem simples, mas grande como um cajueiro antigo: firme, generoso e cheio de sombra para quem precisasse descansar da vida.
Meus sentimentos a toda a família. Que Deus acolha sua alma e conforte os corações.

E a vida, essa teimosa, não para — ela é um trem que não tem freio sentimental. Na mesma noite em que a saudade chorava em Sibalde, a música fazia o mar de Pirambu balançar como se fosse um violão gigante.
Depois de 17 anos, Nando Reis voltou a cantar na cidade, e a praia virou um coro, um oceano de vozes, um vento de nostalgia soprando versos antigos nos ouvidos do tempo.

Era como se as ondas cantassem junto… e talvez cantassem mesmo. O mar tem memória. O mar lembra.

Mas enquanto uns dançavam, o céu de Sergipe resolveu fazer greve de bom humor.
Chuvas e ventanias chegaram com a delicadeza de um elefante em loja de cristais. O alerta do Inmet soou como um tambor distante anunciando tempestade, e em Lagarto o mercado municipal virou um aquário improvisado — só faltaram os peixes fazendo compras.

Feirantes correram, a água subiu, e as ruas viraram espelhos quebrados refletindo a pressa, o susto e a preocupação. A chuva, quando quer, não cai — ela invade, ocupa, domina, como se fosse dona do mundo.

E enquanto isso, a Mega-Sena resolveu brincar de esconde-esconde com a sorte.
Ninguém acertou as seis dezenas. O prêmio subiu para 47 milhões, um valor tão grande que até o sonho fica com medo de sonhar alto demais.
Há brasileiros que não têm o que jantar, e há números que prometem milhões — ironia? Não… isso já é quase um esporte nacional chamado esperança parcelada.

E lá fora, no mundo grande e áspero, uma notícia pesada como pedra: no México, buscas por mineradores sequestrados revelaram valas e corpos.
A terra, que deveria dar sustento, virou cemitério. O chão, que deveria guardar raízes, passou a esconder dor.
Às vezes o mundo parece um livro escrito com tinta de lágrimas e encadernado em silêncio.

E assim termina este dia…
Um dia que misturou saudade, música, chuva, sonhos milionários e tragédias humanas — um mosaico de emoções que a vida monta sem pedir licença.

A verdade é que o mundo é um palco estranho: enquanto uns choram, outros cantam; enquanto uns rezam, outros contam dinheiro; enquanto a chuva cai em um lugar, a esperança nasce em outro.

E nós seguimos…
Caminhando, escrevendo, lembrando, lutando — porque viver, meus amigos, é isso:
um barco pequeno enfrentando um oceano imenso, mas sempre guiado por uma estrela chamada esperança.