CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de dezembro de 2024

O giro das notícias do dia 07 de dezembro de 2024 em um caleidoscópio de emoções e reflexões a justiça feita , a ciência, a fé, a guerra e a política se entrelaçam em um enredo que nos desafia a entender que somos mais do que meros espectadores.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de dezembro de 2024
Publicado em 07/12/2024 às 19:46

As Manchetes do dia 07 de dezembro de 2024


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia amanheceu como um mosaico de paradoxos: ora luz, ora sombra. O calendário não tem piedade, carrega nos ombros uma coleção de histórias que nos sussurram em tons de esperança e tragédia, progresso e retrocesso, flores e espinhos.

Na BR-101, em Umbaúba, o passado gritou justiça no tribunal. Os algozes de Genivaldo, que transformaram a viatura em câmara de gás, foram finalmente sentenciados. As penas que caíram sobre eles não trazem de volta a vida arrancada em maio de 2022, mas são um sinal de que o peso da justiça, ainda que tardio, pode alcançar as mãos sujas de poder. A viúva de Genivaldo, carregando a dor como quem carrega o céu nas costas, pediu reflexão. Que ironia: reflexão é o que faltou naquele dia infame.

Enquanto isso, o governador de Sergipe anunciou concursos. Ah, promessas de vagas públicas! Um remendo no grande tecido da desigualdade. Cem oportunidades para sonhos que ainda respiram, mas não para todos. É um sopro de alívio em meio ao sufoco, como a brisa que tenta, em vão, apagar o incêndio de uma floresta inteira.

Falando em florestas, o estudo inédito sobre terras indígenas trouxe à tona uma verdade que há tempos os sábios da terra já conheciam: é das raízes das matas que brotam as chuvas que fertilizam a agropecuária. No entanto, enquanto o Marco Temporal paira como uma espada, a pergunta ecoa: quantas árvores e povos precisarão cair para que entendam que a Amazônia não é só verde, é vida?

E por falar em vida, a vacinação infantil sorriu para o Brasil. Entre seringas e lágrimas, metas foram alcançadas. É como plantar sementes de esperança em um terreno árido, regando-o com a ciência. Mas enquanto as crianças são protegidas, os adultos assistem, perplexos, à Anatel liberar mudanças nos preços de planos de comunicação. É o mercado que dita as regras, enquanto o consumidor, de mãos atadas, paga o preço de um futuro incerto.

Lá em Paris, as gárgulas da Catedral de Notre-Dame voltaram a vigiar a cidade-luz. A obra renasceu das cinzas, um fênix gótica que custou milhões de euros e lágrimas incontáveis. Enquanto isso, em Roma, o Papa Francisco apareceu com o queixo roxo, resultado de um encontro inusitado com uma mesa de cabeceira. O pontífice segue humano, falível, mas seu espírito resplandece ao nomear novos cardeais, incluindo o brasileiro Dom Jaime Spengler, que agora carrega em suas mãos a chave para futuros conclaves.

Já na Síria, o eco das guerras volta a se fazer ouvir. Homs, cidade esquelética de tantas batalhas, foi tomada pelos rebeldes. O chão manchado de sangue narra histórias de coragem e desespero. E na Coreia do Sul, o presidente Yoon Suk Yeol sobreviveu a um impeachment. Ironia fina: quem deveria representar o povo foi salvo por um boicote. A democracia, por vezes, dança no fio da navalha.

E assim o dia termina, um caleidoscópio de emoções e reflexões. A justiça, a ciência, a fé, a guerra e a política se entrelaçam em um enredo que nos desafia a entender que somos mais do que meros espectadores. Somos atores, ainda que frágeis, no palco da história. Que saibamos, então, encenar um amanhã que não nos envergonhe.