CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco trágico e burlesco do mundo, o dia 06 de junho de 2025 abriu a cortina com um coro dissonante de realidades — cada manchete uma corda vibrante de um violino desafinado.
Os dados do IBGE, como uma partitura sacra, cantaram em números a fé do povo sergipano: católicos na frente do cortejo, evangélicos em procissão fervorosa e espíritas — pequenos clarins de um outro plano.
Enquanto isso, o Hemose pede sangue, como um vampiro com sede de esperança, tentando driblar a anemia que ronda as veias dos festejos juninos.
No altar profano da Câmara de Vereadores de Aracaju, discute-se a criação de uma loteria municipal — um jogo de azar para uma cidade que já joga a sorte com dados viciados. Apostam as fichas no lucro de um povo que, entre a fé e a esperança, vira refém de bolões que enriquecem sempre os mesmos.
Mas a roleta da injustiça girou ainda mais forte: uma idosa resgatada do cativeiro doméstico, onde o trabalho escravo vestia avental e polia as algemas invisíveis da desigualdade.
Na moldura jurídica da desfaçatez, Zambelli balança como um pêndulo de vaidade: o mandato, essa coroa de papelão, pode cair pelas mãos da Câmara ou do martelo da Justiça Eleitoral.
Por outro lado, o Conselho de Justiça Federal decidiu: torcedor racista que espalha ofensas como granadas deve pagar a conta da vergonha, custeando as cicatrizes de um país que ainda finge não ver a cor das feridas.
E Bolsonaro, sempre o bolero dissonante, quis parar o processo no STF como quem tenta adiar o destino — mas o ministro Moraes, de toga e voz firme, mandou seguir o baile.
No mosaico de horrores do planeta, o terremoto no Chile sacudiu as entranhas da terra, lembrando que o chão sob nossos pés é feito de dúvidas e placas tectônicas de medo.
Enquanto isso, a pequena menina de Gaza — flor que resistiu ao fogo dos homens — sobreviveu a um bombardeio, milagre de carne frágil contra mísseis que brotam do ódio.
Mas a distribuição de comida, essa partilha essencial, foi suspensa mais uma vez, e a morte, sempre voraz, dançou sobre as panelas vazias de Gaza.
Na Guatemala, o vulcão soltou seu canto de lava e fumaça, como se a terra quisesse competir com os homens na arte de destruir.
E a Rússia, senhor de tempestades de ferro, despejou 450 drones e mísseis sobre a Ucrânia, recitando o hino do terror como se fosse um cântico de redenção.
Na partitura da guerra, a dor é sempre a mesma — mas a partitura é escrita com tinta vermelha sobre a pele dos inocentes.
E assim, meu caro leitor, o 06 de junho de 2025 se desenhou como um mural de paradoxos: entre a fé e a mentira, a caridade e o egoísmo, o milagre e a barbárie.
Resta-nos, como cronistas de um mundo em chamas, perscrutar cada nota desse concerto desgovernado, esperando que, um dia, o maestro do universo troque a batuta do ódio pelo compasso da compaixão.
Enquanto isso, brindemos ao espetáculo: que nossas vozes, unidas no coro da lucidez, sejam o único hino que jamais será calado.




