CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de julho de 2025

"Entre Zumbidos, Latidos e Silêncios: O Domingo em que o Pequeno foi Gigante"

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de julho de 2025
Publicado em 06/07/2025 às 23:58


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Era domingo, mas o calendário parecia ter se embriagado com mel e pólvora. O dia 06 de julho amanheceu com gosto de susto, cheiro de hospital e um leve zumbido no ar – não daqueles que anunciam uma boa ideia, mas os que avisam: corre que lá vem encrenca voadora.

Na Zona Sul de Aracaju, o que deveria ser um jogo de guerrinha com armas de brinquedo virou episódio inédito do Planeta Inseto Selvagem. Participantes de um evento de airsoft, vestidos como soldados de plástico de um tabuleiro vivo, acabaram invadindo sem querer o quartel-general de duas colmeias em fúria. As abelhas, que não brincam em serviço e muito menos com armas falsas, declararam guerra real com picadas diplomáticas, deixando um saldo de feridos e uma nova lição: quem brinca de guerra pode acabar aprendendo com a natureza como se combate de verdade.

E se na capital sergipana o apocalipse zumbidor tomou conta do ar, na esfera geopolítica o som era outro: Lula, em pleno palco da Cúpula dos Brics, resolveu dar seu recado à OTAN. Com verbo afiado e metáfora diplomática, acusou a aliança de estar alimentando mais tanques do que esperanças. Disse, com todas as letras que não estavam no teleprompter, que a corrida armamentista é como um cachorro tentando morder o próprio rabo: gira, gira, gasta energia e no final morde a si mesmo. Em tempos de guerras frias com corações quentes, é preciso mais pão e menos pólvora. Mais diálogo e menos desfile de mísseis com autoestima inflada.

Enquanto isso, num canto mais gelado do planeta, um Chihuahua – sim, aquele cachorro que caberia numa mochila escolar e que normalmente treme mais que político em dia de delação – mostrou que heroísmo não tem tamanho. Seu tutor escorregou numa geleira suíça e caiu numa fenda de oito metros. O cãozinho, com coragem de leão e lealdade de novela mexicana, ficou à espreita, latindo até os socorristas aparecerem. Dizem que os heróis usam capas. Esse aí usou pelos curtos, patas pequenas e um coração do tamanho do Himalaia.

E por falar em Himalaias e alturas sagradas, o Dalai Lama completou 90 voltas em torno do sol com direito a bolo de nove andares, dança, música e até aplausos de Hollywood. Um sopro de espiritualidade em meio a um mundo que vive com o pulmão preso entre a ansiedade e a arrogância. Enquanto muitos comemoram com fogos e ostentação, o líder tibetano festejou com sabedoria, humildade e um sorriso que parece dizer: “A paz ainda é possível, mesmo que o mundo teime em gritar”.

Domingo, portanto, foi dia de abelhas revoltadas, discursos armados, cachorro herói e mestre zen. Um dia para lembrar que a vida é um teatro com roteiro instável, onde qualquer cena pode ser comédia, drama ou lição.

E a maior lição talvez venha do zumbido das abelhas, do latido do Chihuahua e do silêncio sorridente do Dalai Lama:
não é preciso gritar para ser ouvido,
nem atacar para ser lembrado,
nem ser gigante para ser gigante.