CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 06 de abril acordou com cheiro de borracha queimada e café amargo — desses que a vida serve sem açúcar e sem aviso. Na BR-101, nas proximidades do povoado Pau Ferro, município de Maruim, em Sergipe, um ônibus virou metáfora em chamas: parecia o próprio Brasil, correndo apressado pela madrugada, até que o destino, esse roteirista dramático, resolveu acender o fósforo. E lá se foram malas, roupas, lembranças — porque quando o fogo chega, ele não pergunta nome, não pede CPF, não respeita história: ele apenas devora. Ainda bem que o motorista, esse herói anônimo de estrada, puxou o freio do caos antes que a tragédia virasse notícia em tom definitivo.
Já em Japaratuba, muita tristeza. Um acidente entre caminhões e um carro de passeio provocou quatro mortes e deixou feridos na Rodovia SE-226, próximo ao povoado Sapucaia, no município de Japaratuba, no início da tarde desta segunda-feira (6). As vítimas são todas da mesma família e estavam no veículo: dois irmãos, uma mulher e um bebê.
Enquanto isso, em Brasília — essa usina nuclear de discursos inflamáveis — a CPI do Crime Organizado pede mais 60 dias, como aluno que levanta a mão e diz: “Professor, só mais um tempinho que eu estudo”. Sessenta dias para entender o óbvio: que o crime organizado não é um visitante — é quase morador com cadeira cativa no sofá da República. Documentos empilhados como montanhas de papel, verdades escondidas como poeira debaixo do tapete, e o país assistindo a esse teatro onde a justiça anda de muleta e a impunidade corre maratona.
No cenário internacional, o petróleo resolveu fazer greve de humor: caiu, mas com aquele drama de quem ameaça descer, mas ainda cobra caro pela própria existência. O barril, esse poeta do capitalismo, dança conforme a música das tensões globais — um tango entre Estados Unidos e Irã, entre possível negociação onde cada passo errado pode custar bilhões e algumas noites mal dormidas no planeta inteiro.
E no meio dessa ópera geopolítica, o PIX — esse filho brasileiro que nasceu humilde e virou orgulho de família — entrou na mira do império do cartão. Os Estados Unidos, com seu jeitão de xerife do mundo, parecem incomodados com o menino brasileiro que aprendeu a correr sem pagar pedágio. Mas Lula, com voz de quem segura o microfone da soberania, bateu na mesa digital: “Ninguém vai mexer no PIX”. Enquanto isso, lá da Colômbia, Gustavo Petro acena como vizinho curioso: “Manda esse trem pra cá também!” — porque quando a tecnologia funciona, ela vira desejo, quase paixão internacional.
E assim segue o mundo: entre incêndios reais e incêndios políticos, entre quedas de preços e quedas de máscaras, entre sistemas financeiros e sistemas nervosos à flor da pele.
No fim das contas, abril não mente — ele apenas exagera a verdade até ela doer. E nós, passageiros desse grande ônibus chamado realidade, seguimos viagem… rezando para que o próximo incêndio seja só metáfora.




