CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá caro leitor(a), sente-se, ajeite o coração na cadeira de balanço da esperança e prepare o café, porque o 5° dia de maio de 2026 chegou feito vendedor de pamonha em porta de estádio: gritando, apitando e trazendo um saco de emoções misturadas como feira de domingo depois da chuva. O mundo amanheceu parecendo um liquidificador sem tampa, girando notícia para todo lado, espirrando tragédia, ironia e política na parede da alma brasileira.
Lá em Sergipe, Aracaju e São Cristóvão brigam por pedaços de terra como dois irmãos discutindo quem herdou a rede da avó. A Zona de Expansão virou um bolo confeitado de concreto, disputado na colherada jurídica. O relatório da Seplan apareceu mais sério que fiscal de fila de banco, apontando onde termina um município e começa o outro. A Justiça quer devolver parte do território a São Cristóvão, e a terra, coitada, deve estar cansada de tanto ser puxada pelos braços invisíveis da burocracia. O chão virou tapete de mágico político: puxa daqui, estica dali, e no fim o povo continua tentando descobrir onde começa o buraco da rua e termina a promessa eleitoral.
Enquanto isso, em Brasília, o Conselho de Ética resolveu suspender deputados que ocuparam a Mesa da Câmara. Dois meses! Apenas dois meses! Foi tão leve que parecia castigo de mãe cansada dizendo: “vá pensar no que fez”. O Brasil é um espetáculo tão surreal que às vezes o cidadão olha para o Congresso igual quem olha para um circo onde os palhaços expulsaram o dono do picadeiro. Tem deputado fazendo mais acrobacia que trapezista de circo russo e menos vergonha que gato roubando sardinha. A política brasileira anda tão confusa que até camaleão está pedindo tutorial para aprender a mudar de cor com tanta rapidez ideológica.
E no céu dos Estados Unidos, um avião da United Airlines resolveu transformar a aterrissagem em cena de filme de ação dirigido pelo destino bêbado. A aeronave, vindo de Veneza, bateu em poste e caminhão enquanto pousava em Newark. Meu amigo… parecia que o avião tinha confundido aeroporto com estacionamento de supermercado em véspera de Natal. O susto desceu rasgando o peito dos passageiros igual trovão rasga madrugada de interior. O coração humano é engraçado: basta uma turbina tossir diferente que até ateu promete virar santo padroeiro da aviação.
Mas o dia deixou de ser piada quando a notícia do Acre chegou como faca fria atravessando o silêncio. Uma escola virou cenário de horror. Tiros, correria, lágrimas, sangue no chão onde deveria existir apenas lápis, cadernos e sonhos rabiscados de futuro. Duas mulheres perderam a vida. O Brasil chorou baixinho, porque até a tristeza anda cansada de repetir discurso. Um menino de 13 anos carregando uma arma… veja o tamanho do abismo que estamos criando. A infância, que deveria brincar de bola e amarelinha, agora aparece algemada ao desespero. As escolas, antes jardins de esperança, estão virando fortalezas cercadas pelo medo.
E o mais assustador é que a violência anda entrando nas cidades igual fumaça de fogão a lenha: silenciosa, sufocante e impregnando tudo. Há crianças aprendendo o barulho de tiros antes mesmo de decorar a tabuada. O mundo moderno vende tecnologia de última geração, mas continua atrasado no fabrico do amor. Estamos produzindo Wi-Fi veloz e empatia em câmera lenta.
O Brasil de hoje parece uma panela de pressão esquecida no fogo: política fervendo, violência escapando pela válvula e o povo tentando sobreviver equilibrando esperança numa colher torta. Ainda assim, o brasileiro ri. Ri porque se não rir enlouquece. Ri porque a comédia virou colete salva-vidas emocional. Ri igual quem dança forró no meio da tempestade só para desafiar a tristeza.
E assim terminou o 5° dia de maio de 2026: com fronteiras sendo riscadas, políticos recebendo puxões de orelha de algodão, aviões assustando passageiros e escolas sangrando silenciosamente. O mundo rodou mais uma vez, cansado, barulhento e dramático, enquanto o povo brasileiro segue sobrevivendo como poeta de feira: rimando dor com esperança e fazendo piada até da própria tempestade.




