CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos viajar na leitura. Apertem os cintos da imaginação: o ônibus das notícias saiu atrasado, mas trouxe bagagem pesada. Na primeira parada, aposentados da educação da rede estadual de Sergipe esperam os precatórios como quem espera chuva em estiagem — olhando o céu da burocracia, contando nuvem por nuvem, enquanto o tempo passa de bengala e o calendário faz pouco caso.
Logo adiante, o Congresso aprovou reajuste e a conta chegou com salto alto: R$ 790 milhões. Para 95% dos municípios, o orçamento é um cobertor curto — se cobre os pés, descobre a cabeça. A tesouraria suspira, o Tesouro pigarreia, e 5.526 cidades ficam olhando a vitrine do possível com o bolso furado do real. Ironia hiperbólica? É planilha com poesia triste.
No cenário internacional, o mundo tirou o último freio de mão: acabou o acordo nuclear entre EUA e Rússia. O Tratado New START expirou e a paz, essa senhora de porcelana, tremeu na prateleira. Ogivas bocejam, generais afiam metáforas metálicas, e o futuro ganha cheiro de pólvora. O planeta, coitado, pede calma; as potências respondem com músculo.
Entre precatórios que cochilam, cofres que rangem e bombas que piscam, seguimos. Rimos para não chorar, pensamos para não explodir. E a crônica fecha pequena, mas latejante: quando a política brinca de gigante e o povo paga de formiga, só a leitura nos salva do esmagamento.




