CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 04 de dezembro de 2024
O giro de notícias do dia 04 de dezembro de 2024 com esperanças que brilham em meio às cinzas, com risos que se dissolvem em lágrimas e com um mundo que caminha, tropeçando em suas próprias contradições.
As notícias do dia 04 de dezembro de 2024
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Na manhã deste 4 de dezembro, o céu parecia bordado com ironias. Em Sergipe, o governador anunciou um concurso para o Banese, como se 55 vagas fossem a salvação de um exército de desempregados. Uma gota d’água no deserto da empregabilidade, mas suficiente para enfileirar milhares em busca de um futuro que, talvez, sequer coubesse nos limites de um edital.
Enquanto isso, em Lagarto, um homem fazia das transações de PIX um espetáculo de mágica às avessas: dinheiro falso para compras reais. Foram 14 atos de ilusionismo até que o espetáculo fosse interrompido pela Polícia Civil. E pensar que, em tempos digitais, ainda há quem confunda esperteza com crime, e quem sofra as consequências de acreditar em comprovantes que evaporam como miragens.
Na esfera política, Brasília fervia. Deputados, como crianças em birra, resistiam ao corte de seus brinquedos favoritos: as emendas parlamentares. O governo corria, como quem apaga incêndios, para aprovar projetos antes do ano virar a esquina. Um teatro de urgências, onde cada fala era um verso dissonante no poema mal escrito da austeridade.
Falando em incêndios, Santarém, que deveria ser palco de discursos sobre o futuro do planeta, foi engolida pela fumaça das queimadas. O céu, outrora azul, tingiu-se de cinza, e os pulmões dos moradores ecoaram a dor de uma floresta queimada em silêncio. É o grito de uma Amazônia que já não canta, mas sufoca.
No STF, Toffoli ergueu a voz para dizer o óbvio: as plataformas precisam ser responsáveis pelo que hospedam. É como pedir a um proprietário que cuide do lixo deixado em sua propriedade. Mas no mundo digital, parece que os óbvios precisam ser desenhados em sentenças judiciais, e a justiça ainda caminha a passos lentos no labirinto das redes.
No Senado, uma luz de humanidade brilhou entre as trevas: toda gestante terá o direito de ser acompanhada no parto. Uma vitória em meio a tantas derrotas, mas que ainda precisa driblar os corredores da Câmara. É o prenúncio de um amanhã mais digno, ainda que cercado de ‘ses’.
E então, a tragédia da fortuna: Antonio Lopes, vencedor solitário de R$ 201 milhões, morreu 24 dias após seu triunfo. Um final que soa como a ironia cruel de uma fábula: o dinheiro, que todos desejam, não comprou a imortalidade, nem evitou o fim precoce. Um destino que lembra a efemeridade de nossos sonhos mais dourados.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Faixa de Gaza sangra. A Anistia Internacional acusa Israel de genocídio, e os números são de cortar a alma: 44 mil mortos em pouco mais de um ano. A guerra, essa velha senhora, dança sobre os corpos com o desdém de quem nunca será punida.
Nos Estados Unidos, Trump joga sua última cartada, tentando apagar um passado que insiste em ser presente. E, em Oroville, dois estudantes são alvejados em mais um ataque a tiros, num ciclo que se repete com a precisão trágica de um relógio quebrado.
Assim se encerra este 4 de dezembro: com esperanças que brilham em meio às cinzas, com risos que se dissolvem em lágrimas e com um mundo que caminha, tropeçando em suas próprias contradições. É o espetáculo diário da humanidade, onde o absurdo e a beleza dividem o mesmo palco.
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