CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de outubro de 2025
Publicado em 04/10/2025 às 17:11

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Caro leitor (a), boa leitura!

O dia amanheceu com cheiro de álcool… mas não o das celebrações, e sim o das preocupações. Sergipe recebeu um alerta da Secretaria de Saúde sobre casos de intoxicação por metanol. Parece piada de mau gosto: o povo já anda embriagado de problemas, e agora até a bebida quer nos matar. O metanol, esse vilão invisível, é o espírito zombeteiro da irresponsabilidade humana — o líquido traiçoeiro que promete alegria e entrega tragédia. É o diabo vestido de cachaça, sorrindo na prateleira do boteco. E lá vai o povo, entre goles e goles, tentando esquecer a vida amarga, sem saber que talvez esteja bebendo o próprio veneno.

Enquanto os profissionais de saúde afiavam o olhar clínico, o Brasil continuava sendo o palco onde a ironia bebe de canudinho. O Ministério Público Federal denunciou um grupo que fazia a entrada clandestina de estrangeiros pela fronteira com a Venezuela. Uma espécie de “agência de turismo ilegal”, onde o carimbo do passaporte era substituído por documentos falsos e promessas de liberdade. É o velho jogo da miséria: de um lado, quem foge da fome; do outro, quem lucra com ela. A fronteira virou um espelho rachado — de um lado, o sonho; do outro, o desespero.

E lá longe, no Japão, o vento da história soprava com voz feminina. Sanae Takaichi, nome que soa como poesia e aço ao mesmo tempo, tornou-se líder do partido governista e, possivelmente, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra. Um terremoto simbólico num país que sempre ergueu muros entre o poder e o feminino. Que essa mulher, com passos firmes e olhar sereno, consiga ensinar aos samurais da política que a força não está no grito, mas na sabedoria.

Já no palco global, o Brasil — esse ator que ora faz drama, ora faz comédia — resolveu subir o tom contra Israel, denunciando o país no Conselho de Direitos Humanos da ONU pela interceptação da flotilha que seguia rumo à Faixa de Gaza. É bonito ver o gigante sul-americano vestindo a capa da diplomacia moral, apontando o dedo da justiça. Mas no fundo, caro leitor, talvez o mundo todo esteja num imenso teatro onde os aplausos são sempre ensaiados. Enquanto uns denunciam, outros bombardeiam; enquanto uns discursam pela paz, outros fabricam as armas.

A sexta-feira, então, se fez espelho da humanidade: um brinde envenenado, fronteiras abertas à dor, uma mulher quebrando paradigmas e um país tentando ser voz num coro de hipocrisias.

E eu, aqui em Japaratuba, entre a caneta e o coração, penso que o mundo é um copo de cristal rachado. Pode até brilhar à luz das manchetes, mas basta um gole de verdade para revelar o gosto amargo da contradição.

Entre o álcool e a diplomacia, entre os papéis falsos e as promessas verdadeiras, entre os discursos de poder e as lágrimas dos invisíveis, seguimos — tropeçando nos próprios erros e brindando com esperança, como quem insiste em acreditar que o amanhã pode, enfim, ser um gole de alívio.


Saudações do cronista,
Professor Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE