CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de janeiro de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de janeiro de 2026
Publicado em 04/01/2026 às 21:22

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O sábado dia 03 de janeiro acordou com o barulho de pratos quebrando no mapa-múndi. O café da manhã da humanidade veio frio, servido em xícaras rachadas, enquanto o relógio engasgava segundos e o planeta pigarreava notícias. O mundo abriu os olhos com olheiras — e Sergipe, coitado, penteava o vento.

Lá fora, o céu resolveu brincar de general. Aviões escreveram assinaturas de pólvora sobre Caracas, e as bombas, vaidosas, caíram como exclamações histéricas no fim de uma frase mal pensada. A soberania virou vidro: estilhaçou. O hipócrita assassino Trump, o presidente dos Estados Unidos que quer ser ditador, ironicamente mandou sequestrar o presidente Maduro, o ditador da Venezuela. O presidente Maduro foi levado como quem arranca um parágrafo do livro alheio — sem pedir licença ao autor. A guerra, essa velha senhora de bengala afiada, atravessou a rua outra vez, reclamando que a paz anda ocupando espaço demais.

A capital venezuelana virou uma sala de espera da história: sirenes como soluços metálicos, prédios tossindo poeira, e corpos carbonizados — mais de cem mortos, militares e civis — assinando o silêncio definitivo. O mundo, de gravata, fingiu que não viu; o noticiário, de luvas, contou os números como quem soma moedas. A ética? Escorregou na própria hipérbole e caiu de costas. A liberdade do povo venezuelano não está no discurso. A verdade nua e crua é que os Estados Unidos, os ladrões do mundo, querem roubar as riquezas minerais do povo venezuelano, principalmente o petróleo.

Enquanto isso, discursos caminharam em bicos de ovos. Condena-se o ato, mas não se aponta o dedo — medo de sujar a mão, talvez. A diplomacia fala baixo quando o canhão fala alto. Palavras usam filtro solar para não queimar no sol do poder. E a justiça venezuelana, num giro de roteiro, chama a vice ao palco principal: o poder troca de cadeira, mas o teatro continua o mesmo, com cortinas chamuscadas.

Aqui, no Brasil, no solo sergipano, o vento resolveu ser manchete. Não veio para refrescar: veio para empurrar. Soprou com a arrogância de quem acha que manda na casa alheia. Telhados aprenderam a voar sem asas; estruturas fizeram yoga ao contrário; árvores rezaram de joelhos. A Defesa Civil anotou quilômetros por hora, mas esqueceu de medir o susto por minuto. O interior sentiu na pele: prejuízo não se mede em metros por segundo — mede-se em noites sem sono.

É curioso como o mundo grande explode e o mundo pequeno balança, mas ambos doem no mesmo corpo. A geopolítica cai do céu lá longe; o vento derruba o telhado aqui perto. Em comum, a fragilidade. O planeta, esse poeta desastrado, rima guerra com vento e acha bonito.

No meio disso tudo, a paz tenta atravessar a avenida sem faixa. A soberania pede socorro como quem grita no meio da ventania: a voz se perde, mas a urgência fica. A ironia é que os fortes falam em nome da ordem enquanto desorganizam o chão; os fracos recolhem os cacos e aprendem a varrer a própria história.

O dia 03 de janeiro foi isso: um editorial escrito com poeira, pólvora e vento. O mundo respirou curto, Sergipe respirou torto, e nós respiramos fundo — porque, quando a realidade aperta, só a lucidez afrouxa o nó. Que a próxima página venha com menos bombas e mais telhas no lugar. Que o vento sopre poesia, não prejuízo. E que a soberania, cansada de apanhar, encontre abrigo — nem que seja sob o telhado simples da dignidade.