CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 03 de dezembro de 2024

O giro de notícias do dia 03 de dezembro de 2024

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 03 de dezembro de 2024
Publicado em 04/12/2024 às 21:04

As notícias do dia 03 de dezembro de 2024


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era uma manhã de terça, e o Brasil, como sempre, despertava ao som de sua ópera tragicômica. No palco principal, a Justiça fazia o papel de maestro, suspendendo o concurso da PM de Sergipe por falta de vagas para pessoas com deficiência. “Plena aptidão”, alegaram. Mas quem, afinal, é plenamente apto em um país onde a burocracia manca e as decisões tropeçam em si mesmas? Talvez fosse melhor chamar o Ministério da Saúde para medir a pressão das hipocrisias.

Do outro lado da esplanada, o STF e o Congresso brincavam de cabo de guerra com as emendas parlamentares. Um jogo de “quem manda mais” que faria até os gladiadores romanos parecerem amadores. Os parlamentares, que há tempos trocaram a toga da ética pela capa da conveniência, reclamavam das condições impostas. “Não gostamos das ressalvas”, diziam, como crianças que não aceitam a sobremesa sem chantilly.

Enquanto isso, na Câmara, a pauta era urgente, mas o governo patinava. Medidas de corte de gastos? Sim. Mas quem corta primeiro? A tesoura parecia embotada, incapaz de rasgar o véu da impopularidade. A dança das cadeiras do poder dava o tom de uma política sem melodia, onde todos pareciam desafinados – e os espectadores, apáticos.

E, como se a confusão nacional não bastasse, chegou o projeto sobre celulares nas escolas. Ah, o celular, esse novo Pomo da Discórdia! Agora, os jovens poderiam carregar suas janelas digitais para dentro das salas de aula, e os professores, já sobrecarregados, seriam promovidos a guardiões da moral tecnológica. Que bela ironia: a escola, que deveria ensinar a pensar, virando campo de batalha contra a distração.

Mas o governo não parava. Entre fundos nacionais e rombos orçamentários, surgia uma ideia brilhante: usar R$ 40 bilhões para tapar buracos até 2030. Um tapa na cara da lógica, como tentar remendar um navio naufragado com esparadrapos. “Sobras” dos fundos? Só se as sobras forem da paciência do povo.

Lá longe, na Coreia do Sul, o presidente decretava lei marcial. Argumentava “ameaças comunistas”, mas os protestos nas ruas e o repúdio dos deputados indicavam outro cenário: um governo que se afogava em sua própria tempestade política. Seria ele um reflexo do espelho global? Afinal, a história tem sido uma professora cruel, ensinando que o autoritarismo é a última âncora de líderes à deriva.

E, enquanto o mundo se desmanchava em crises e os noticiários transbordavam absurdos, Sergipe assistia à sua novela particular. Era como se todos os enredos convergissem para um só roteiro: o das promessas quebradas e das expectativas esmagadas. Aqui, plena aptidão não era privilégio dos concursos públicos, mas exigência diária para sobreviver ao caos.

No final do dia, o Brasil permanecia o eterno trapézio, balançando entre o riso e o pranto. Cada notícia era uma metáfora viva de um país que dança no fio da navalha. E nós, meros espectadores, continuávamos sentados, aguardando o próximo ato dessa peça tragicômica, torcendo para que, um dia, o final seja menos previsível – e mais justo.


Por Antônio Glauber Santana Ferreira
Japaratuba, terra de metáforas e realidades nuas.