CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 02 de janeiro de 2025
GIRO DE NOTÍCIAS DO 2º DIA DE 2025
As notícias do dia 02 de janeiro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era o segundo dia do ano, mas o calendário parecia ter trocado o branco da paz pelo cinza da inquietação. Se Sergipe fosse uma aquarela, suas pinceladas mostrariam um quadro de desespero. O IPVA, aquele visitante anual que chega sem convite, fez sua entrada triunfal, espalhando boletos como confete em festa de carnaval. Enquanto isso, os professores de nove municípios não receberam nem o básico: seus salários. Talvez esperassem que, com um pouco de poesia e fome, pudessem sobreviver, mas até a literatura precisa de papel, e papel custa dinheiro.
No Tribunal de Contas, fechado em recesso, os mestres sem pagamento tentaram abrir portas com a chave da dignidade. Mas dignidade não paga contas e não enche a geladeira. As administrações municipais, aparentemente, confundem planejamento financeiro com adivinhação. E assim, o cenário sergipano transformou o sonho do recesso em pesadelo de contas atrasadas.
Enquanto isso, uma laje despencava em Aracaju, como se a gravidade quisesse nos lembrar que problemas estruturais não tiram férias. A vítima ferida tornou-se símbolo de um Brasil onde o concreto das obras públicas parece tão frágil quanto as promessas dos políticos.
Na esfera nacional, o governo fazia malabarismos financeiros, abatendo dívidas bilionárias das companhias aéreas. A Gol e a Azul respiravam aliviadas, mas a pergunta flutuava no ar como um avião em turbulência: quem vai pagar essa conta? Certamente não será o cidadão que, com seu IPVA salgado, sustenta o equilíbrio precário do país.
Lá fora, a Venezuela parecia um reality show político de mau gosto. O governo de Nicolás Maduro oferecia 100 mil dólares para capturar Edmundo González, opositor exilado na Espanha. Não faltava emoção no script: intriga, recompensa e um protagonista que prometia voltar para tomar posse. A política internacional se desenrolava como uma novela venezuelana, e o Brasil, em papel coadjuvante, evitava a cerimônia de posse de Maduro com um recado diplomático discreto.
Enquanto isso, na terra das apostas, o Supremo Tribunal Federal determinava que empresas de bets limitassem sua atuação ao Rio de Janeiro. As apostas online, aparentemente, tinham geolocalização tão frouxa quanto a regulamentação sobre suas operações.
O cenário parecia um mosaico de caos, cada peça mais desconexa que a outra. O início de 2025 mostrou que, se quisermos um ano novo de verdade, teremos que construir tijolo por tijolo, com suor e responsabilidade. Afinal, a esperança não despenca como uma laje; ela precisa de bases sólidas, tanto no governo quanto na alma do povo.




