CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de dezembro de 2024
O desfile de notícias do 2º dia de dezembro de 2024.
As notícias do dia 02 de dezembro de 2024
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Ah, o mundo contemporâneo, esse vasto palco de surrealismos, onde a hipocrisia é a protagonista, a injustiça, coadjuvante, e a indiferença, a plateia que aplaude. Olhamos para as notícias do dia 02 de dezembro e sentimos um sabor amargo, como se a realidade tivesse se transformado numa comédia de erros, recheada de metáforas ambulantes que já não sabem mais quem são.
Primeiro, temos o caso de Valmir, que perdeu seus direitos políticos, mas, ironicamente, parece que não perdeu nem um fio de cabelo em sua carreira política. “Não vai me impedir de tomar posse”, ele declara com a confiança de quem foi eleito para ser eterno, como se a Justiça fosse apenas uma piada contada em corredor de fórum. Será que ele realmente acredita que a decisão judicial será apenas uma formalidade, um tropeço temporário? Como um poeta do poder, Valmir dançarina do palco político, sempre se esquivando da lógica e da moral, fingindo que tudo é passageiro, até a própria ética.
Na Avenida Pedro Calazans, um rombo na tubulação fez o caos tomar conta das ruas, e as alternativas para quem tenta escapar da confusão são como escolhas entre o inferno e o purgatório. “Ruas alternativas”, diz a SMTT, como se a possibilidade de desvios fosse a salvação para motoristas que já estão quase à beira do colapso existencial. A vida, sempre pronta para te testar, com ou sem rodovias abertas.
Mas, se você estava tranquilo em sua casa, pense novamente. O hospital, onde deveria reinar a segurança e o cuidado, desaba, literal e metaforicamente. O teto da UTI do Hospital do Coração, símbolo de acolhimento, de vida, deixou cair sua frágil estrutura sobre a fragilidade de um bebê. Um ano de vida, uma tela em branco, e o peso do concreto que se desfez como um pesadelo de fim de ano. Quem precisa de estabilidade quando temos a brutalidade da realidade? A ironia é um convite: na sala onde se tenta salvar, a destruição também se faz presente.
E enquanto aqui no Brasil lutamos contra esses fantasmas, no mundo a guerra pela verdade e pela transparência continua. O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para liberar a retomada do pagamento das emendas parlamentares. Ah, a transparência! A palavra mágica que nunca se materializa. Quem se importa com a origem do dinheiro quando se tem o poder de usá-lo? Estamos todos, de alguma forma, comprados, ou pelo menos convencidos de que podemos viver à custa da ilusão da honestidade.
Mas a tecnologia, com sua ambição ilimitada, promete nos levar para o além: Starlink, o império de Elon Musk, decide ampliar sua operação no Brasil. Sete mil satélites adicionais, porque parece que o planeta nunca é grande o suficiente para esse homem que já se alimenta de estrelas. Em breve, até os recantos mais distantes do país estarão conectados à nossa terra de promessas digitais e esperanças conectadas. Internet para todos, ou pelo menos, para quem pode pagar. Porque, no fim das contas, a inclusão digital também tem seu preço. Que ironia: um satélite para cada brasileiro, mas sem garantia de que todos estarão em pé de igualdade.
Do outro lado do mundo, o Brasil vive uma diplomacia sem brilho, onde as ofensas se tornam retratação e os erros se tornam fábulas. Ministro Toffoli, em um gesto de nobreza, decide que está tudo bem. Quem sou eu para questionar as hostilidades a um ministro? Basta um pedido de desculpas, e tudo é perdoado. Na terra das fábulas jurídicas, as desculpas se tornam panos quentes sobre feridas abertas, e o processo de redenção é mais rápido que a própria dor.
Enquanto isso, o mundo segue em espiral, com novos vírus matando 143 pessoas na República Democrática do Congo. Que tipo de vírus é esse que tira a vida das pessoas antes mesmo de sabermos seu nome? Um vírus sem rosto, como tantas doenças que afligem a humanidade, invisíveis, mas devastadoras. O futuro, meu caro, é uma ameaça sem rosto, e a morte, uma sombra que jamais se apaga.
Mas não, não podemos esquecer das Filipinas, onde a ameaça de morte é agora moeda corrente entre líderes. Sara Duterte, vice-presidente, faz o que qualquer bom herdeiro de uma dinastia faria: ameaça. Uma ameaça que não é apenas verbal, mas um reflexo de um regime que não teme, mas saboreia a dor do outro. Extermínio, execução, e uma guerra constante contra quem ousa questionar. O impeachment está em pauta, mas quem vai realmente questionar um governo que é só mais uma peça do grande jogo de poder?
E, por fim, no coração do Oriente, o pacto entre Rússia, Irã e Síria reafirma o velho ditado: “Nada de novo sob o sol”. Apoio “incondicional” ao regime de Bashar al-Assad, como se as palavras “paz” e “reconciliação” fossem apenas vinhos caros e palavras vazias ditas em reuniões diplomáticas. O sangue continua a ser derramado em Aleppo e em todo o território sírio, mas quem se importa com isso quando há alianças a serem feitas e poder a ser consolidado?
Hoje, ao olhar essas notícias, parece que o mundo está em uma espécie de festa carnavalesca onde a confusão é a regra e a ordem, a exceção. Uma festa onde a mentira e a verdade se misturam, e nós, meros mortais, tentamos entender quem, de fato, são os vilões e os heróis dessa história. Mas, no fim, talvez sejamos todos apenas personagens em uma peça de teatro onde o roteiro já foi escrito, e só nos resta seguir o drama.




