CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de abril de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de abril de 2026
Publicado em 03/04/2026 às 15:42

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Abril, esse poeta meio gripado, acordou tossindo notícias como quem espirra verdades no lenço do tempo. Sergipe, pequeno no mapa e gigante nos suspiros, viu o ar ficar pesado — não de poesia, mas de pulmões cansados. A Síndrome Respiratória Aguda Grave passeou pelas ruas invisível como fantasma de madrugada, batendo de porta em porta sem pedir licença, feito visita inconveniente que chega com mala e não diz quando vai embora. O vírus, esse artista microscópico e arrogante, resolveu fazer turnê nacional — e, pelo visto, escolheu o Nordeste como palco de aplausos tristes.

E o povo? Ah, o povo segue respirando como quem negocia com o vento: “Hoje dá, amanhã a gente vê.” Entre tosses e esperanças, a vida vai se equilibrando numa corda bamba feita de fé, chá quente e fila de hospital. O ar, que antes era poesia invisível, virou suspeito — cada respiração parece uma pergunta sem resposta.

Enquanto isso, lá em Brasília — essa torre de xadrez onde os reis nunca caem — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desenha mais uma jogada: quer dividir o ministério como quem reparte um bolo político, criando um novo Ministério da Segurança Pública. Dizem que é para dar mais força ao combate às facções. Outros cochicham que é mais um capítulo do teatro onde promessas vestem terno e gravata e dançam conforme a música das eleições.

A segurança, coitada, virou personagem de novela: aparece todo dia, chora no capítulo, mas nunca resolve o drama. O povo assiste, comenta, critica — e no fim troca de canal, porque a vida real não tem controle remoto.

No grande circo do Brasil, onde o palhaço às vezes é o cidadão e o espetáculo nunca acaba, abril segue escrevendo suas linhas tortas com tinta de incerteza. Entre vírus que apertam o peito e políticas que prometem aliviar a alma, o país vai caminhando — meio febril, meio esperançoso — como quem dança forró com a própria sombra.

E no fundo, bem no fundo desse pulmão chamado Brasil, ainda bate um coração teimoso, desses que não desistem nem quando o ar falta… porque, por aqui, até a respiração aprendeu a ser resistência.