CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de abril de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abril, esse poeta meio gripado, acordou tossindo notícias como quem espirra verdades no lenço do tempo. Sergipe, pequeno no mapa e gigante nos suspiros, viu o ar ficar pesado — não de poesia, mas de pulmões cansados. A Síndrome Respiratória Aguda Grave passeou pelas ruas invisível como fantasma de madrugada, batendo de porta em porta sem pedir licença, feito visita inconveniente que chega com mala e não diz quando vai embora. O vírus, esse artista microscópico e arrogante, resolveu fazer turnê nacional — e, pelo visto, escolheu o Nordeste como palco de aplausos tristes.
E o povo? Ah, o povo segue respirando como quem negocia com o vento: “Hoje dá, amanhã a gente vê.” Entre tosses e esperanças, a vida vai se equilibrando numa corda bamba feita de fé, chá quente e fila de hospital. O ar, que antes era poesia invisível, virou suspeito — cada respiração parece uma pergunta sem resposta.
Enquanto isso, lá em Brasília — essa torre de xadrez onde os reis nunca caem — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desenha mais uma jogada: quer dividir o ministério como quem reparte um bolo político, criando um novo Ministério da Segurança Pública. Dizem que é para dar mais força ao combate às facções. Outros cochicham que é mais um capítulo do teatro onde promessas vestem terno e gravata e dançam conforme a música das eleições.
A segurança, coitada, virou personagem de novela: aparece todo dia, chora no capítulo, mas nunca resolve o drama. O povo assiste, comenta, critica — e no fim troca de canal, porque a vida real não tem controle remoto.
No grande circo do Brasil, onde o palhaço às vezes é o cidadão e o espetáculo nunca acaba, abril segue escrevendo suas linhas tortas com tinta de incerteza. Entre vírus que apertam o peito e políticas que prometem aliviar a alma, o país vai caminhando — meio febril, meio esperançoso — como quem dança forró com a própria sombra.
E no fundo, bem no fundo desse pulmão chamado Brasil, ainda bate um coração teimoso, desses que não desistem nem quando o ar falta… porque, por aqui, até a respiração aprendeu a ser resistência.




