CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de outubro de 2025
Publicado em 02/10/2025 às 2:44

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O primeiro dia de outubro amanheceu com cheiro de ironia no ar, como se o calendário tivesse trocado as flores da primavera por confete de sarcasmo.

Em Sergipe, anunciaram a tal isenção de IPVA para motociclistas de baixa renda. Eis que o governo aparece vestido de Papai Noel fora de época, distribuindo promessas em parcelas: só em 2026. O pobre do motoboy, que já roda com a moto gritando por óleo e fé, terá que esperar como quem aguarda o ônibus atrasado que nunca chega. É o presente embrulhado em burocracia: um alívio para o bolso que, por enquanto, só existe no papel timbrado. A moto, coitada, até vibrou de emoção, mas logo tossiu na subida, lembrando que gasolina cara não vem com isenção.

Enquanto isso, em Brasília, a Câmara aprovou, com unanimidade quase messiânica, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Vi deputados com auréolas, batendo palmas como freiras em procissão. A promessa de campanha do presidente Lula foi cumprida e o povo até suspira: quem ganha até cinco mil, enfim, respira sem o chicote da mordida do leão e isenção parcial para rendimentos acima de R$ 5 mil e até R$ 7,35 mil.
O rugido agora será só para quem ganha seiscentos mil por ano – esses, coitados, terão que dar uns trocados de 10%. Choram lágrimas de caviar.

E do outro lado do mundo, Nova York tremeu. A fachada de um prédio de 20 andares caiu como quem perde a maquiagem depois de uma noite longa. O concreto virou pó, lembrando que até as cidades que nunca dormem às vezes acordam com pesadelos. Dizem que foi gás, essa criatura invisível e traiçoeira, que explodiu em protesto contra a arrogância humana. O prédio, habitacional público, por sorte não levou ninguém no colapso. Mas deixou o recado: até os arranha-céus têm crises de coluna.

O dia, enfim, foi uma metáfora ambulante: em Sergipe, motos sonham com alívio; em Brasília, aplaude-se o óbvio como se fosse epopeia; em Nova York, o gigante de concreto lembra que até o mais alto cai. Outubro começou como poesia escrita em letras de pólvora, promessas e poeira.