CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O primeiro dia de outubro amanheceu com cheiro de ironia no ar, como se o calendário tivesse trocado as flores da primavera por confete de sarcasmo.
Em Sergipe, anunciaram a tal isenção de IPVA para motociclistas de baixa renda. Eis que o governo aparece vestido de Papai Noel fora de época, distribuindo promessas em parcelas: só em 2026. O pobre do motoboy, que já roda com a moto gritando por óleo e fé, terá que esperar como quem aguarda o ônibus atrasado que nunca chega. É o presente embrulhado em burocracia: um alívio para o bolso que, por enquanto, só existe no papel timbrado. A moto, coitada, até vibrou de emoção, mas logo tossiu na subida, lembrando que gasolina cara não vem com isenção.
Enquanto isso, em Brasília, a Câmara aprovou, com unanimidade quase messiânica, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Vi deputados com auréolas, batendo palmas como freiras em procissão. A promessa de campanha do presidente Lula foi cumprida e o povo até suspira: quem ganha até cinco mil, enfim, respira sem o chicote da mordida do leão e isenção parcial para rendimentos acima de R$ 5 mil e até R$ 7,35 mil.
O rugido agora será só para quem ganha seiscentos mil por ano – esses, coitados, terão que dar uns trocados de 10%. Choram lágrimas de caviar.
E do outro lado do mundo, Nova York tremeu. A fachada de um prédio de 20 andares caiu como quem perde a maquiagem depois de uma noite longa. O concreto virou pó, lembrando que até as cidades que nunca dormem às vezes acordam com pesadelos. Dizem que foi gás, essa criatura invisível e traiçoeira, que explodiu em protesto contra a arrogância humana. O prédio, habitacional público, por sorte não levou ninguém no colapso. Mas deixou o recado: até os arranha-céus têm crises de coluna.
O dia, enfim, foi uma metáfora ambulante: em Sergipe, motos sonham com alívio; em Brasília, aplaude-se o óbvio como se fosse epopeia; em Nova York, o gigante de concreto lembra que até o mais alto cai. Outubro começou como poesia escrita em letras de pólvora, promessas e poeira.




