CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de novembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de novembro de 2025
Publicado em 02/11/2025 às 16:46

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O primeiro dia de novembro amanheceu com cheiro de promessa nova e o barulho de um Brasil que tenta, mais uma vez, reinventar o próprio destino. O sol saiu como quem abre um portal dourado — e lá veio o Confiança, o querido Dragão do Bairro Industrial, vestindo terno de empresário e sorriso de executivo: a proposta de transformação em SAF foi aprovada por unanimidade. O time sergipano agora não é mais apenas um clube; é uma empresa, uma esperança acionária com cotação na Bolsa dos Sonhos. Dizem que o futebol virou negócio — mas, no fundo, continua sendo aquela paixão que não cabe em planilhas. O torcedor não compra ações; compra ilusões parceladas em gols.

O Confiança agora tem CNPJ, mas o coração continua batendo no Batistão. Que venham os investidores, os lucros, os patrocínios e, quem sabe, até uma Libertadores imaginária. A torcida vibra com fé de quem viu o dragão sair do brejo para voar sobre balanços financeiros. Se o futebol é empresa, que ao menos a alegria seja o lucro líquido do povo.

Enquanto isso, lá no norte do mapa e nas alturas da diplomacia climática, Lula inaugurava o novo aeroporto internacional de Belém — aquele que vai receber a COP 30, o grande congresso planetário dos discursos recicláveis e das promessas biodegradáveis. O Terminal Portuário de Outeiro também foi requalificado, brilhando como um salão de festa para receber navios transatlânticos e autoridades de todos os cantos do globo. É o Pará virando passarela de compromissos ecológicos, onde os líderes mundiais chegam em jatinhos para falar de emissões de carbono. Ironia do destino: para salvar o planeta, gastam combustível até para abrir o microfone.

Mas há poesia nesse paradoxo: o Brasil se pinta de verde, o aeroporto respira expansão, e o povo, com o pé na lama e o olhar no futuro, continua acreditando que um vento novo pode soprar das margens do Amazonas até o sertão sergipano.

Já em Brasília, o Congresso decidiu brincar de Deus — reformando o sistema eleitoral com a mesma ousadia de quem troca as regras do jogo no meio da partida. O tal “distrital misto” promete dar ao eleitor o poder de escolher mais diretamente seus representantes, mas o povo ainda não entendeu se isso vai afastar os corruptos ou apenas trocar os apelidos. O relator do projeto diz que assim o crime organizado terá menos espaço, mas o brasileiro, acostumado a ver ladrão ganhar voto e santo ser esquecido, prefere esperar sentado — porque, de pé, já cansou.

No fundo, Brasília é um grande palco, onde cada político ensaia seu papel num teatro de egos e promessas. O povo, coitado, é a plateia que paga o ingresso mais caro: o imposto da paciência.

E quando o mundo parecia girar em compasso de esperança, uma notícia da Índia rasgou o tecido do dia com fios de tragédia. Um tumulto em um templo — 25 mil fiéis apertados em um espaço para 3 mil — e o sagrado virou caos. Nove mortos, dezenas de feridos, orações que se transformaram em gritos. O excesso de fé matou mais do que a falta dela. O ser humano, tão pequeno diante do divino, insiste em amontoar-se como se pudesse tocar o céu por aproximação.

Há algo profundamente humano e trágico nisso: o mesmo impulso que move torcedores ao estádio e fiéis ao templo é o que move a humanidade ao abismo — o desejo de pertencer, de acreditar, de ser parte de algo maior, mesmo que isso custe o próprio ar.

E assim, o dia 1º de novembro se despediu com um mosaico de contrastes: o time de futebol que vira empresa, a política que promete purificação, o planeta que discursa sobre si mesmo, e a fé que transborda. O mundo é um grande campo de batalha entre o ideal e o real — e nós, cronistas de carne e osso, seguimos tentando narrar essa partida infinita onde o placar muda a cada suspiro.

Porque o Brasil é isso, meu caro leitor: um dragão que sonha em ser fênix, um porto que espera o futuro ancorar, um voto que quer virar esperança — e um povo que, entre risos e lágrimas, continua acreditando que amanhã será gol.