CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber Santana Ferreira sobre as notícias do dia 28 de Janeiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
A manhã acordou com o estrondo de um pesadelo diplomático: um agente do ICE tenta invadir o consulado do Equador em Minneapolis, nos EUA, como se fosse festa de aniversário com senha vazada — empurrou a porta, esbarrou na etiqueta internacional e foi barrado por alguém que entendeu melhor que ele o significado de “entrada proibida”. A porta fechou com mais autoridade do que muitas promessas de campanha política. Funcionário equatoriano virou escudo humano diplomático, dizendo em silêncio que aquele recanto era território onde ninguém entra sem convite, nem mesmo quem acha que leis internacionais são apenas sugestões educadas.
Sabe aquela figura que bate à porta do cinema imaginando que sua coragem é bilhete de entrada? Foi isso que vimos: fardas riscando a calçada como se o consulado fosse um quadradão de videogame a ser invadido. Só que, nessa fase, o chefão jurídico disse “não”, enquanto o agente jurava que tinha continuidade infinita. E saiu como protagonista de um curta de comédia involuntária — ameaça vaga, bravata ecoando como trovão em taça de cristal.
Enquanto isso, nos corredores da economia — esse labirinto onde números gargalham e dançam como fogos de artifício em festa à fantasia — o Ibovespa decidiu subir como menino empolgado na escada rolante: bateu 184 mil pontos, um recorde que parece festa de aniversário todo dia, enquanto o dólar fez cara de estático fingindo zen total, ancorado em R$ 5,20 como turista que não quer ir embora. Aqui, a economia canta na chuva e diz que está tudo bem — mas desconfia de alienígenas e boletos atrasados.
E sobre o milho? Ah, o vilão silencioso da tarde: um caminhão carregado de milho tombou na rodovia SE-170, transformando estradas sergipanas em cena de novela sertaneja — fogo, milho voando, trânsito parado e o cheiro da cidade grande empoeirando o asfalto rural. Era como se uma montanha de pipoca engolisse a estrada, lembrando que nem tudo que brilha é ouro — às vezes é semente queimando e trânsito parado. Ninguém se feriu, mas a cena ficou gravada na retina como metáfora do país: produto jogado na estrada, vida em modo de espera e um caldo de caos e calmaria misturado em proporções indecifráveis.
Naquele mesmo dia, enquanto gringos brigavam por fronteiras e leis, nossos milhozinhos pegavam fogo como fogueira de São João antecipada, e a bolsa sujeitava a lógica ao capricho de seus números, eu, professor Antônio Glauber, penso na humanidade como um peixe que salta fora d’água achando que finalmente respirou. A diplomacia é esse lago profundo que a gente acha que domina com braçadas de ignorância, enquanto a economia roda o carrossel, contando pontos e moedas como se fossem estrelas cadentes.
Há uma ironia cavando seu túnel por trás de tudo: um agente que não entende fronteiras, uma bolsa que sobe como se vivêssemos num sonho de super-herói e um caminhão que cai como lembrança de que a gravidade nunca tira férias. Talvez a lição seja simples: o mundo é uma sala cheia de portas proibidas, e cada vez que alguém tenta arrombá-las, aprende — com ou sem diploma — que a lei pode ser tinta invisível até alguém insistir em tocar nela.
E assim, com milho queimado, recorde financeiro e diplomacia fechando portas com mais firmeza que muitos corações, seguimos à procura de sentido — porque se a vida fosse clara, ninguém escreveria crônica nem leria até o fim.
E que o amanhã nos encontre com menos portas sendo empurradas e mais mãos estendidas ao invés de algemas verbais.




