CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de julho de 2026
Publicado em 12/07/2026 às 14:56

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 09 de julho amanheceu com a Terra escrevendo poesia e ironia na mesma folha. Enquanto alguns seres humanos ainda tropeçam na própria consciência, uma pequena pardela-sombria resolveu ensinar geografia, coragem e persistência sem nunca ter precisado de diploma. Viajou mais de dois mil quilômetros, como quem dissesse ao mundo que a liberdade não conhece CEP, nem fronteiras, nem o GPS das nossas desculpas. Ah, se certos políticos tivessem metade do senso de direção daquela ave… talvez encontrassem o caminho da coerência antes de descobrir o da próxima eleição.

No Rio Grande do Sul, um réptil de 240 milhões de anos saiu do silêncio das pedras para lembrar que a história é um baú teimoso: sempre guarda uma surpresa para quem acredita que já sabe tudo. O velho fóssil parecia cochichar entre as rochas: “Calma, humanidade! Eu sobrevivi ao tempo; vocês talvez não sobrevivam à própria pressa.” Que ironia! O passado continua mais paciente do que o presente, enquanto muita gente envelhece sem amadurecer e vive correndo atrás do relógio, como se pudesse vencer o calendário numa corrida de chinelos.

E, do outro lado do oceano, o fogo resolveu brincar de rei na Espanha. Mas incêndio não faz festa; faz luto. As chamas dançaram um balé cruel, pintando de cinza aquilo que antes era verde, lembrando que a natureza, quando perde a paciência, fala mais alto que qualquer discurso inflamado. O vento carregava fumaça, mas também um aviso: a Terra não grita por vingança; ela apenas devolve o eco da nossa irresponsabilidade.

No fim das contas, o mundo parecia um grande teatro onde uma ave dava aula de esperança, um fóssil oferecia lições de humildade e um incêndio escrevia, com brasas, uma carta amarga à humanidade. E nós? Seguimos correndo, brigando por tão pouco, discutindo por vaidades que não sobrevivem nem ao próximo café. Talvez seja hora de aprender com os pássaros a voar mais alto, com as pedras a guardar memória e com o fogo a respeitar aquilo que ainda insiste em florescer. Porque, no grande espetáculo da vida, quem ri da natureza acaba descobrindo, tarde demais, que ela sempre fica com a última gargalhada.