CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Vamos tomar café com leitura.
O mundo resolveu acordar antes do despertador da esperança. No Bugio, o fogo dançou um forró desengonçado dentro de uma casa, mas encontrou pela frente um batalhão de heróis de chinelo, balde e mangueira. Enquanto as labaredas gargalhavam feito dragões mal-educados, a vizinhança respondeu com a mais antiga arma da humanidade: a solidariedade. Descobriu-se, mais uma vez, que um balde cheio de união pesa toneladas contra um incêndio cheio de arrogância.
Já a Mega-Sena fez de novo sua velha comédia romântica: prometeu casamento com R$ 6,3 milhões e fugiu pela janela, deixando apenas um bilhete na mesa: “Volto acumulada com R$ 23 milhões.” A fortuna parece aquela paquera que vive dizendo “agora vai”, mas termina namorando sempre o futuro. E o brasileiro, otimista profissional, compra outro volante como quem compra um ingresso para um espetáculo onde o protagonista é sempre o vizinho… ou ninguém!
Enquanto isso, do outro lado do planeta, mísseis cruzavam o céu como corvos metálicos e drones riscavam o horizonte com a tinta escura da intolerância. Os poderosos continuam jogando xadrez com bombas, mas quem perde as peças é sempre o povo. A paz, coitada, virou uma senhora de cabelos brancos esperando na parada de ônibus enquanto os generais disputam quem buzina mais alto. Há líderes que confundem diplomacia com megafone e diálogo com pólvora, como se o barulho das explosões pudesse calar o choro das mães.
No fim das contas, junho nos serve um café amargo, adoçado apenas pela coragem de gente simples. Entre brasas, bilhetes de loteria e foguetes de guerra, a vida insiste em plantar flores nas rachaduras do asfalto. E talvez seja esse o maior milagre: quando o mundo parece um circo comandado por palhaços armados e mágicos da ilusão financeira, ainda existe um povo que sorri, faz piada da própria desgraça, divide um gole de café e segue em frente. Porque rir, às vezes, é o último extintor contra o incêndio da desesperança.




