CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, leitor(a)! Espero que esteja tudo bem com você. Puxe uma cadeira, sirva um café bem quentinho e prepare o coração, porque o sábado resolveu vestir um terno de luto, calçar um sapato de ironia e sair distribuindo notícias como quem mistura lágrimas e gargalhadas na mesma panela da vida.
Japaratuba amanheceu com o sino da saudade balançando mais pesado. A querida Professora Hélia partiu depois de uma longa batalha contra o câncer. A escola perdeu uma mestra, os livros ficaram órfãos de uma leitora apaixonada e até o giz, coitado, parece ter decidido escrever em silêncio. A cidade inteira abaixou a voz, porque há pessoas que, quando partem, deixam um vazio tão grande que nem o eco consegue preencher. À família, fica o abraço fraterno e a solidariedade de todos nós.
E como se o destino tivesse resolvido colecionar despedidas, em Aracaju também nos deixou o empresário Stênio Gonçalves Andrade. Foram seis décadas imprimindo sonhos, jornais, livros e histórias. O homem fez da gráfica uma fábrica de memórias, como se cada folha de papel fosse uma pomba levando notícias para o mundo. Agora, quem escreveu a última página foi o tempo, esse editor implacável que nunca aceita revisão.
Mas o Brasil também gosta de brincar de loteria com a esperança. A Mega-Sena despejou quase quarenta milhões de reais sobre um único sortudo. De repente, alguém acordou cidadão comum e foi dormir discutindo onde estacionar a futura lancha. O colchão virou cofre, o cafezinho ganhou gosto de champanhe e até os parentes que não apareciam desde a invenção da televisão já devem estar ensaiando aquele famoso “lembra de mim?”. O dinheiro é ligeiro: chega correndo, mas também sabe sair em disparada quando encontra a companhia errada.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Austrália acendeu o sinal vermelho. A tal retatrutida ilegal, vendida como milagre do emagrecimento, mostrou que nem todo atalho leva ao paraíso; alguns desembocam na sala de emergência. Há quem queira emagrecer tão depressa que acaba colocando o fígado para carregar um piano nas costas. Milagre vendido na esquina costuma entregar a conta no hospital. O corpo não é laboratório de aventuras nem balcão de promoção.
E assim terminou o sábado: entre lágrimas que ensinaram o valor da vida, milhões que lembraram a sedução da fortuna e falsas promessas que mostraram o preço da imprudência. No fim das contas, a existência continua sendo essa professora exigente que aplica provas sem avisar. Uns aprendem com a dor, outros com o humor, mas todos, sem exceção, são alunos da mesma escola chamada tempo. Que Deus conforte os que choram, ilumine os que permanecem e nos ensine que a maior riqueza ainda é viver com dignidade, espalhando bondade antes que a última página da nossa história também seja impressa.




