CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 02 de Junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O mundo acordou hoje parecendo um arraial montado por um poeta distraído e administrado por um malabarista de tempestades. Enquanto junho vestia sua camisa xadrez e ensaiava os primeiros passos da quadrilha, a realidade resolveu soltar fogos antes da hora. Em Estância, a polícia encontrou uma fábrica clandestina de explosivos que parecia ter sido projetada pelo próprio São João depois de tomar café com dinamite. Havia tanta pólvora que até os vaga-lumes ficaram com medo de acender as lanternas. O perigo morava ali como um dragão cochilando sobre um barril de fumaça, esperando apenas um espirro mais animado para transformar o bairro em foguete espacial.
Lá pelas bandas da política, a Justiça apareceu vestida de professora severa segurando uma régua de quilômetros. O ex-governador Cláudio Castro viu a porta da elegibilidade bater mais forte que janela em dia de ventania. A democracia, essa senhora que vive fazendo fisioterapia depois de tantos tropeços históricos, continuou sua caminhada apoiada numa bengala chamada Constituição, enquanto advogados corriam pelos corredores como atletas olímpicos disputando a maratona dos recursos infinitos.
Do outro lado do planeta, drones cruzaram os céus do Oriente Médio como marimbondos eletrônicos carregando a insônia da guerra. O aeroporto no Kuwait virou um tabuleiro de xadrez onde as peças não eram cavalos nem torres, mas aviões, radares e preocupações. O mundo inteiro segurou a respiração por alguns instantes, porque quando os tambores da guerra desafinam, até os pássaros esquecem a letra da canção.
Enquanto isso, Donald Trump resolveu abrir sua velha caixa de ferramentas tarifárias. Anunciou impostos aqui, ameaças acolá e discursos acolá de novo, porque político gosta de repetir palavras como sanfoneiro gosta de repetir refrão. Mas alguns produtos brasileiros escaparam da tesoura comercial. O café brasileiro, por exemplo, atravessou a tempestade usando guarda-chuva de diplomacia. As frutas, os cereais e os fertilizantes também conseguiram embarcar no trem da exceção. Foi quase um milagre econômico: a laranja dançando forró com a soja, o café cantando MPB e o chá tomando chimarrão para comemorar.
E assim terminou mais um capítulo da novela humana. A pólvora quis brincar de festa junina antes da hora, a política continuou seu campeonato de recursos, os drones desenharam rabiscos preocupantes no céu e o comércio internacional fez mais uma reunião de condomínio sem chegar a um consenso absoluto.
No fim das contas, a vida segue parecida com uma sanfona nordestina: às vezes aperta, às vezes afrouxa, mas nunca deixa de tocar. E nós, simples passageiros desse trem chamado cotidiano, seguimos viajando entre manchetes, risadas, sustos e esperanças, porque rir continua sendo a forma mais barata de enfrentar as explosões da vida — sejam elas de pólvora, de política ou de ego.
E que venha o próximo capítulo, porque o mundo jamais perde a oportunidade de nos surpreender com mais uma piada escrita pelo roteirista invisível do destino.




