CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 01 de Junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Junho chegou montado num cavalo de fogos, vestido de bandeirolas coloridas e tocando sanfona na esquina da esperança. Em Japaratuba, o velho senhor chamado Tempo abriu um sorriso enrugado e viu a Sarandagem desfilar mais uma vez pelas ruas da memória. A festa centenária saiu cantando de porta em porta como quem acorda os sonhos adormecidos dentro dos baús da cultura. Os tocadores, os cantadores e os amantes da tradição transformaram a madrugada numa grande sala de visitas do povo sergipano. E haja garganta para cantar, haja perna para caminhar e haja fígado para acompanhar os botecos, que receberam os seresteiros com a mesma alegria de quem encontra um parente querido depois de um século!
A Sarandagem foi tão bonita que até a Lua pediu licença para descer do céu e acompanhar o cortejo. As estrelas bateram palmas, os ventos dançaram quadrilha e as ruas de Japaratuba vestiram seu melhor traje de orgulho. Afinal, cultura não é enfeite de prateleira; é raiz viva que insiste em florescer mesmo quando os ventos modernos tentam plantar concreto sobre a memória.
Enquanto isso, em Aracaju, Santo Antônio abriu oficialmente seu escritório celestial de casamentos, promessas e solidariedade. O santo casamenteiro, que já deve ter mais pedidos acumulados do que aplicativo de relacionamento em dia dos namorados, convidou os fiéis para a trezena e para os gestos concretos de amor ao próximo. Porque, no fim das contas, a melhor aliança continua sendo aquela que une solidariedade e compaixão.
Lá no reino dos bancos, o Fundo Garantidor de Créditos colocou um apito na boca e resolveu agir como árbitro de campeonato. Depois da confusão envolvendo instituições financeiras que prometiam rendimentos tão altos que faziam até a calculadora desconfiar, chegaram novas regras para lembrar que dinheiro também precisa usar cinto de segurança. Alguns banqueiros olharam para os títulos públicos com a mesma empolgação de uma criança ao ganhar um livro de matemática nas férias, mas a prudência resolveu entrar em campo.
E, do outro lado do continente, os Estados Unidos escolheram um novo nome para ocupar a embaixada no Brasil. A diplomacia, essa senhora elegante que vive viajando de um país para outro carregando pastas e sorrisos protocolares, ganhou mais um capítulo em seu interminável romance internacional.
Mas a verdade é que, neste primeiro dia de junho, nenhuma notícia brilhou mais que a velha Sarandagem de Japaratuba. Porque os bancos contam dinheiro, os políticos contam votos, os diplomatas contam acordos, mas o povo conta histórias. E são elas que atravessam gerações.
Que venha junho! Que venha o cheiro da fogueira, o estalo do milho assado, o forró apertado e a alegria teimosa do povo nordestino. Porque enquanto existir uma sanfona tocando numa esquina e uma tradição caminhando pelas ruas, a alma de Japaratuba continuará sendo um imenso arraial iluminado pelas estrelas da cultura sergipana.




