CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 31 de Maio de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 31 de Maio de 2026
Publicado em 01/06/2026 às 17:36

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Maio resolveu fechar as cortinas do seu teatro carregando uma carroça de notícias tão curiosas que até a Lua pediu uma cadeira na primeira fila para assistir ao espetáculo. E lá vinha o mundo, vestido de sanfona, chapéu de palha e nuvens preocupadas, dançando forró na avenida da vida enquanto tropeçava nos próprios acontecimentos.

Na Barra dos Coqueiros, uma égua resolveu inovar no domingo. Cansada de beber água no balde e de enfrentar o calor nordestino, decidiu transformar-se em atleta olímpica da natação equina. Mergulhou numa piscina residencial como quem procurava uma vaga para disputar as Olimpíadas dos cavalos aposentados. A piscina, que esperava receber apenas boias e crianças, levou um susto tão grande que quase pediu transferência para o deserto do Saara. Os bombeiros chegaram como heróis de um filme junino e resgataram a ilustre banhista, que saiu da água parecendo dizer: “Foi só um mergulho refrescante, pessoal!”

Enquanto isso, Sergipe começava a vestir seu terno colorido de São João. As ruas ganharam bandeirinhas que dançam ao vento como passarinhos de papel. Cada casa parecia bordar estrelas no céu da vizinhança. O Concurso Ruas Decoradas surgiu para lembrar que tradição não é poeira guardada no armário da História; é fogueira acesa no coração do povo. E haja criatividade! Tem rua que brilha tanto que até os vagalumes ficam com inveja e pedem dicas de decoração.

Mas nem tudo era festa no reino das notícias. Lá no horizonte do planeta, o senhor El Niño apareceu novamente penteando os cabelos das nuvens e bagunçando o humor do clima. O governo reuniu especialistas, cientistas e estudiosos numa espécie de conselho dos magos meteorológicos para observar os próximos capítulos dessa novela atmosférica. O clima anda tão temperamental que ora chora rios, ora seca lagoas, ora resolve misturar tudo no mesmo pacote. A natureza parece estar enviando cartas registradas à humanidade, mas muita gente insiste em deixar o carteiro esperando no portão.

Do outro lado do mundo, na Coreia do Sul, um incêndio em uma fábrica trouxe lágrimas para um dia que já carregava emoções demais. Vidas foram interrompidas, lembrando que o progresso, quando não caminha de mãos dadas com a segurança, pode transformar sonhos em fumaça. O fogo escreveu uma página triste no livro deste domingo e nos fez recordar que cada trabalhador carrega dentro do peito uma família inteira esperando sua volta para casa.

E assim terminou maio, esse velho cronista do tempo. Saiu pela porta dos fundos levando gargalhadas de uma égua nadadora, o colorido das bandeirinhas juninas, a preocupação das nuvens inquietas e o silêncio doloroso das despedidas. Junho já bate à porta trazendo sanfonas, fogueiras e promessas. Que venha o novo mês. Porque a vida, essa professora exigente e bem-humorada, continua dando aulas sem apagar o quadro, escrevendo metáforas com giz de estrelas e corrigindo nossos erros com a borracha invisível do tempo.

E nós, alunos dessa escola chamada mundo, seguimos aprendendo, sorrindo, chorando e, sobretudo, resistindo. Afinal, até uma égua que cai numa piscina consegue voltar à superfície. Talvez essa seja a grande lição deste último dia de maio.