CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de maio de 2026
Abram o jornal deste sábado, puxem uma cadeira na varanda da imaginação e segurem firme o chapéu da esperança, porque o mundo resolveu fazer malabarismo com lágrimas, gargalhadas, cartões bancários, bolas de futebol, navios desinfetados e cavernas inundadas.
Lá em Itabaiana, a Polícia encontrou mais de 150 cartões bancários nas mãos de um suspeito. Era tanto cartão que o bolso do cidadão parecia uma agência bancária ambulante. Se continuasse naquele ritmo, até os caixas eletrônicos iriam pedir direitos autorais. A esperteza humana, essa prima distante da honestidade, mais uma vez tentou vender fumaça em garrafa e sol em prestação de vinte vezes sem juros. Mas a Justiça apareceu como um guarda-chuva no meio da tempestade da malandragem.
Enquanto isso, o céu da música brasileira perdeu uma estrela. Gilson Vieira Silva partiu para tocar sua melodia em algum palco escondido entre as nuvens. E sua inesquecível “Casinha Branca” ficou passeando pelos quintais da memória, como um passarinho teimoso que se recusa a abandonar a janela do coração. Quem nunca sonhou com um lugar de mato verde, uma varanda simples e um amanhecer tranquilo? Em tempos de arranha-céus de ansiedade e condomínios de preocupação, a velha casinha branca continua sendo o palácio mais rico da alma brasileira.
Do outro lado do planeta, o PSG levantou novamente a taça da Champions League. O clube francês vestiu a coroa de rei europeu e desfilou pelo continente como um pavão milionário que finalmente aprendeu a transformar fortuna em glória. Os torcedores cantavam tão alto que até a Torre Eiffel parecia querer bater palmas usando as luzes.
Já um navio chamado Hondius voltou a navegar depois de uma batalha contra o hantavírus. O gigante dos mares tomou um banho tão caprichado que saiu mais limpo do que prato de avó depois do almoço de domingo. Se existisse concurso de limpeza, o navio estaria pronto para disputar medalha olímpica contra sabão, detergente e álcool em gel.
E no Laos, a natureza mostrou novamente que é uma escritora de suspense sem concorrentes. Homens ficaram presos numa caverna inundada durante dias. A água transformou corredores de pedra em labirintos líquidos, mas a esperança, essa teimosa profissional dos milagres, continuou acendendo lanternas dentro da escuridão. Cinco pessoas foram resgatadas, enquanto o mundo segue rezando pelos desaparecidos.
Assim terminou o 30 de maio de 2026: com a polícia recolhendo cartões, a música recolhendo saudades, o futebol distribuindo alegria, um navio voltando à vida e socorristas enfrentando o impossível. O mundo é mesmo uma enorme feira de emoções. Num corredor vende-se riso, no outro distribuem-se lágrimas, e na banca da frente a esperança continua anunciando promoção permanente: “Não desistam dos seus sonhos; eles ainda não saíram de linha.”
E assim seguimos nós, passageiros desse trem chamado vida, que nunca avisa qual será a próxima estação, mas sempre nos convida a olhar pela janela e aprender alguma coisa com a paisagem.




